'WSJ': Massacre do Carandiru provoca polêmica 24 anos depois

Juízes anulam julgamento de 74 policiais condenados pelo assassinato de 111 presos

Matéria publicada nesta quarta-feira (5) pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal fala sobre o caso do Massacre do Carandiru que acaba de completar 24 anos e volta a ser notícia após o Tribunal de Justiça decidir anular o julgamento que havia condenado 74 policiais militares.

O Journal conta que Fernanda Vicentina da Silva ainda se lembra de estar em pé na fila com um de seus irmãos de nove anos de idade e uma tia na notória penitenciária Carandiru para visitar seu pai, Antonio Quirino da Silva, quando um guarda lhes disse que não haveriam visitas aos presos naquele dia 02 de outubro de 1992. Mais tarde eles souberam que aquele tinha sido o último dia da vida de seu pai. O Sr. da Silva foi um dos 111 presos mortos quando policiais militares fortemente armados invadiram o maior complexo prisional da América Latina para acabar com uma revolta que eclodiu naquela mesma manhã. Fotografias e testemunhos médicos, posteriormente, revelaram que muitos internos foram baleados várias vezes à queima-roupa.

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A reportagem relata que na semana passada o chamado Massacre do Carandiru provocou polêmica novamente quando juízes anularam o julgamento que havia condenado 74 policiais anteriormente por falta de provas.

"Não houve massacre", disse Ivan Sartori, um dos três juízes em um painel judicial que decidiu em favor de anular as acusações contra os policiais militares. Sartori disse que a polícia teria agido em legítima defesa naquele dia. O painel concluiu que não havia provas balísticas suficientes para vincular qualquer policial individualmente pelas filmagens do sistema interno do Carandiru. Procuradores do estado de São Paulo disseram que planejam apelar da decisão.

De acordo com o jornal norte-americano os juízes agora devem decidir se haverá um novo julgamento para os 74 oficiais anteriormente condenados em cinco julgamentos separadamente. Os juízes também poderiam absolver formalmente os homens, pondo fim a uma batalha legal que se arrasta há 24 anos. Condenados a penas de prisão que variam de 48 a 624 anos, todos os 74 homens condenados nos julgamentos permanecem em liberdade enquanto o processo segue sem decisão. 

O Carandiru foi demolido ha mais de uma década atrás e um parque público foi colocado em seu antigo site, conclui o Wall Street Journal.