'Le Monde' compara João Dória a Michael Bloomberg

Reportagem aponta que PT agora conta com 256 prefeitos contra 630 em 2012

Matéria publicada nesta terça-feira (4) pelo jornal Le Monde comenta que a vitória do Partido dos Trabalhadores ofereceria uma base mais otimista para a eleição presidencial em 2018 e sua derrota significa uma debacle, ou abismo político ao partido do ex-presidente Lula. 

Reportagem comenta que em São Paulo, por exemplo, o prefeito petista Fernando Haddad, visto como um herdeiro promissor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), foi eliminado no primeiro turno das eleições dando a vitória esmagadora para o seu adversário, João Doria, PSDB, um fato inédito na capital econômica do país.

O Monde fala em seu texto que Dória ganhou mais de 53% dos votos contra 16% de Fernando Haddad, como um "Michael Bloomberg brasileiro". Seguindo os passos do ex-prefeito de Nova York, com uma publicidade milionária e a carreira de apresentador de TV, sendo filho de um ex-membro exilado durante a ditadura militar (1964-1985), ele fezuma campanha assumindo um programa liberal capaz de seduzir as classes médias como um empresário bem sucedido e não como um político.

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O diário francês opina que a vitória de Dória em São Paulo reflete o naufrágio do PT a nível nacional. Seus candidatos permaneceram em 256 municípios, apenas uma capital de Estado, contra 630 prefeituras em 2012. A contagem dos prefeitos eleitos confirmaram o colapso da audiência do PT com queda de 50%. 

Le Monde acrescenta que o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro) continua a ser o maior pelo número de eleitos, mesmo com o progresso do PSDB. O triunfo em São Paulo é um grande avanço para o governador estadual do PSDB, Geraldo Alckmin, agora mais bem colocado na corrida para a presidência em 2018.

O noticiário conclui que o descrédito do PT estende-se a outras formações de esquerda, como o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Partido Socialista Popular (PPS), que também estão em em declínio. Rede, formada há quase um ano pela ex-candidata Marina Silva, não conseguiu decolar nas eleições municipais. Apenas o Partido do Socialismo e Liberdade (PSOL), a esquerda da esquerda, uma garra do PT desde 2004, ainda se mantém firme no jogo tentando a prefeitura do Rio de Janeiro, onde Marcelo Freixo, contra o Bispo Marcelo Crivella, o favorito nas pesquisas.