Temer afirma não se preocupar com popularidade aos jornais argentinos

O presidente se adiantou para votar no primeiro turno para eleição municipal em SP

Em entrevista concedida em Brasília, publicada neste domingo, nos jornais argentinos “Clarín” e “La Nación”, o presidente Michel Temer disse que não se preocupa com popularidade, nem com os protestos marcados para sua chegada em Buenos Aires na próxima segunda-feira (3): “Zero preocupado. Aqui também temos protestos. É o fruto da democracia. Não tenho nenhum problema com isso".

“Se chegar ao final do governo com 5% ou 2% de popularidade, mas conseguir colocar o país no eixo, estarei satisfeito”

Entretanto, o presidente se adiantou e avisou poucas pessoas sobre o momento do seu voto neste domingo (2) para eleição municipal. O protesto intitulado “Temer não votará” marcado para as 11h - horário marcado pela assessoria do presidente -, com milhares de presenças confirmadas em rede social inibiu o peemedebista que não entrou na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na zona Oeste da capital de São Paulo, pela porta da frente. Temer votou às 8h na universidade. 

Para os jornais argentinos, o presidente afirmou que o governo de Dilma Rousseff não impulsionou a reforma previdenciária por covardia. "Eu não tenho essa covardia. Tenho coragem para adotar as medidas”. E acrescentou que precisa do suporte de parlamentares para alcançar a população para enfrentar desafios como o ajuste fiscal e as reformas trabalhista e previdenciária. "Tendo o apoio do Congresso, vou ter naturalmente o apoio popular. Conforme essas medidas comecem a ser aprovadas no Congresso, vou popularizando minha imagem."

Prestes a enviar ao Congresso uma proposta de reforma da Previdência Social, Temer abriu mão de enviar o projeto antes do primeiro turno da eleição municipal deste domingo (2), e o texto final só deverá ser encaminhado a deputados e senadores depois das eleições. A proposta prevê, entre outros pontos, a fixação de 65 anos como idade mínima para a aposentadoria. 

Ainda em entrevista concedida aos jornais argentinos, o presidente afirmou ter se reunido com cerca de 1.000 empresários em São Paulo quando ainda era interino, além de ter tido encontros em Brasília com vários representantes de setores econômicos, para ter respaldo ao programa de reformas.

Os jornalistas, entretanto, destacaram que essas audiências não eram com o povo, ao que Temer respondeu não ser positivo "dividir o Brasil entre nós [o empresariado] e eles [os trabalhadores]". 

"Estou tratando de pacificar o país. Não podemos fazer essa divisão entre brasileiros."

Michel Temer terá uma reunião de trabalho e vai almoçar com o presidente da Argentina, Maurício Macri, na Quinta Presidencial de Olivos, no subúrbio da capital. Os dois discutirão a retomada do comércio e dos investimentos entre os países e há previsão de assinatura de acordos bilaterais. À tarde, Temer vai para Assunção, capital paraguaia, e se encontrará com o presidente do Paraguai, Horácio Cartes.

Em relação à crise do Mercosul, o presidente brasileiro disse aos jornais argentinos que a intenção não é tirar a Venezuela do bloco, mas que o país se regularize. Já Maurício Macri, na última quarta-feira (28), em entrevista a jornais brasileiros, afirmou que a Venezuela não acrescenta nada ao Mercosul e que o grupo seguiria melhor sem ela.