Paralisação dos bancários fecha agências no país

Sindicatos pedem reposição da inflação mais 5% de aumento real

Bancários em quase todo o país entraram em greve a partir desta terça-feira (6) por tempo indeterminado. São mais de 20 estados e o Distrito Federal com agências fechadas. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o número de paralisações em um primeiro dia de greve é um recorde histórico. Uma nova assembleia está marcada para próxima quinta-feira (8), que irá fazer um balanço do movimento. 

"A não ser que a Fenaban apresente uma nova proposta", disse a presidente do Sindicato dos Bancários Rio, Adriana Nalesso. A categoria rejeitou a proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) de reajuste de 6,5%  sobre os salários, a PLR e os auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. Os sindicatos alegam que a oferta ficou abaixo da inflação projetada em 9,57% para agosto deste ano e representa perdas de 2,8% para o bancário. "O fato é: os bancos apresentaram uma proposta com o índice abaixo da inflação. Inadimiscível para um setor tão lucrativo como o financeiro. Eles tem condições de atender as reivindicações da categoria", destacou Adriana. 

Roberto Zon Der Osten, presidente da Contraf e coordenador das concessões com a Febraban pelo lado dos bancários, disse que a Federação o convocou para nova negociação na próxima sexta-feira (9): "145 assembleias de todo o Brasil foram convocadas e aderiram a greve - 6 delas irão se juntar ao movimento na quinta. Isso demonstra uma insatisfação geral com a última proposta da federação. O lucro dos bancos é imenso, e a nossa reivindicação vai além do reajuste salarial". 

Os bancários querem reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$ 3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, além de outras reivindicações, não menos importantes, como melhores condições de trabalho. "Além disso, nós reivindicamos mais respeito para a categoria. Hoje o bancário é muito assediado, com ameaças de demissão e desigualdade de oportunidades. 52% da categoria de recurso financeiro é mulher e ainda existe diferença salarial", acrescentou Nalesso.  

Não existe prazo para o fim da greve, e Adriana acredita que ao passar dos dias, a adesão será maior. A última paralisação dos bancários ocorreu em outubro do ano passado e teve duração de 21 dias, com agências de bancos públicos e privados fechadas em 24 estados e do Distrito Federal. "A greve é um instrumento de luta dos trabalhadores", exclamou Adriana. 

Atendimento

A paralisação não afasta a obrigação de pagar todas as contas em dia. Os clientes podem utilizar os caixas eletrônicos para agendamento e pagamento de contas (desde que não vencidas), saques, depósitos, emissão de folhas de cheques, transferências e saques de benefícios sociais.

Nos correspondentes bancários (postos dos Correios, casas lotéricas e supermercados), é possível também pagar contas e faturas de concessionárias de serviços públicos, sacar dinheiro e benefícios e fazer depósitos, entre outros serviços. "O banco é concessão publica, cabe a ele disponibilizar todos os canais de atendimento ao cliente e atendimento de qualidade a sociedade", finalizou a presidente do sindicato do Rio.