PF investiga fraudes nos quatro maiores fundos de pensão do país

Os irmão Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, proprietária da JBS, foram alvos 

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (5) a Operação Greenfield, que investiga crimes de gestão temerária e fraudulenta em quatro dos maiores fundos de pensão do país: Funcef, Petros, da Petrobras Previ e Postalis, além da sede da Eldorado Brasil –empresa do grupo J&F– em São Paulo. Os Funcef e Petros estão entre os controladores da Eldorado Celulose.

A operação conta com o auxílio técnico do Ministério Público Federal, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da J&F, holding que é proprietária da JBS, foram alvos de busca e apreensão e condução coercitiva. A J&F e a JBS não são investigadas na operação, mas sim a Eldorado Brasil, empresa de celulose controlada pelo grupo dos irmãos Wesley e Joesley por meio da J&F Investimentos (80,98%). Os fundos de pensão Petros e Funcef, que podem ter sido alvo de fraude, são sócios da Eldorado, com participação de 8,53% cada um.

Wesley Batista e Walter Torre, dono da Construtora WTorre, foram levados para prestar depoimento na Polícia Federal de São Paulo. A assessoria de imprensa da J&F afirmou que o diretor presidente da holding, Joesley Batista, está nos Estados Unidos, e que a empresa está prestando auxílio necessário às autoridades no caso.

Renata Maroto, conselheira fiscal do Fundo de Combate à Pobreza (Funcep), também foi alvo de um mandado de busca em São Paulo. O ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também foram alvos da Operação Greenfield. Pinheiro foi alvo de condução coercitiva e Vaccari foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Ao todo, a operação envolveu 38 pessoas jurídicas e 74 de pessoas físicas. Entre as empresas investigadas estão Santander, Brookfied, WTorre, a vice-presidência de fundos de ativos da Caixa, Deloitte, GruPar (aeroporto de Guarulhos), Sete Brasil, Rio Bravo Investimentos (do ex-presidente do BC Gustavo Franco), Engevix, IBG Eletrônica (nova Gradiente), HAG Participações (holding da Gradiente) e Invepar. Outro alvo é a Bradesco Asset management.

Foram presos Carlos Alberto Caser, ex-presidente da Funcef, Carlos Augusto Borges, ex-diretor da Funcef, Demósthenes Marques, Humberto Pires Grow Viana de Lima e Maurício Marcelline Pereira.

Ao todo, 560 policiais federais cumprem 147 mandados judiciais expedidos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens e o bloqueio de ativos e de recursos em contas bancárias de 103 pessoas físicas e jurídicas que são alvos da operação, no valor aproximado de R$ 8 bilhões.

De acordo com a PF, as investigações começaram a partir de dez casos investigados que revelaram déficits bilionários nos fundos de pensão. Entre os dez casos, oito são relacionados a investimentos realizadas de forma temerária ou fraudulenta pelos fundos de pensão, por meio dos FIPs (fundos de Investimentos em Participações).

Durante as investigações, foram identificados um núcleo empresarial, um núcleo dirigente de fundos de pensão, um núcleo de empresas avaliadoras de ativos e um núcleo de gestores e administradores dos FIPs.

Os investigados responderão por gestão temerária ou fraudulenta, além de outros crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, previstos na Lei nº 7.492/86.

Em Brasília são cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, seis de condução coercitivas e cinco de prisão temporária. No estado de São Paulo, a Justiça expediu 46 mandados de busca e apreensão, 18 conduções coercitivas e uma prisão temporária a serem cumpridos na capital, em Santos e em Campinas. No estado do Rio, a operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão, oito conduções coercitivas e uma prisão temporária.

Em Vila Velha, no Espírito Santos, a operação cumpre um mando de busca e apreensão e um de prisão temporária. Na Bahia, foram expedidos um mandado de busca e apreensão e um de condução coercitiva em Salvador e um de busca e apreensão em Ilheus.

A Justiça expediu ainda um mandado de busca e apreensão em Curitiba, no Paraná; três de busca e apreensão, um de condução coercitiva e um de prisão temporária em Florianópolis, Santa Catarina; além de dois de busca e apreensão e um de condução coercitiva em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Por fim, no Norte do país a polícia cumpre dois mandados de busca e apreensão em Manaus, no Amazonas.

DISCRIMINAÇÃO DOS MANDADOS POR ESTADOS*

Distrito Federal:

Brasília/DF - 20 mandados de busca e apreensão, 6 conduções coercitivas e 5 mandados de prisão temporária;

São Paulo:

São Paulo/SP - 44 mandados de busca e apreensão, 17 conduções coercitivas e 1 prisão temporária;

Campinas/SP - 1 mandado de busca e apreensão e 1 condução coercitiva;

Santos/SP - 1 mandado de busca e apreensão

Rio de Janeiro:

Rio de Janeiro/RJ - 28 mandados de busca e apreensão, 7 conduções coercitivas e 1 prisão temporária;

Niterói/RJ: 3 mandados de busca e apreensão e 1 condução coercitiva;

Espírito Santo:

Vila Velha/ES - 1 mandado de busca e apreensão e 1 prisão temporária;

Bahia:

Salvador/BA - 1 mandado de busca e apreensão e 1 condução coercitiva;

Ilheus/BA - 1 mandado de busca e apreensão;

Paraná:

Curitiba/PR - 1 mandado de busca e apreensão;

Rio Grande do Sul:

Porto Alegre/RS - 2 mandados de busca e apreensão e 1 condução coercitiva;

Santa Catarina:

Florianópolis/SC - 3 mandados de busca e apreensão, 1 condução coercitiva e 1 mandado de prisão temporária;

Amazonas

Manaus/AM- 2 mandados de busca e apreensão 

* O número de mandados (de busca e apreensão, condução coercitiva e prisão), em termos absolutos, diverge do numero total de alvos, considerando que vários alvos tiveram medidas cumpridas em mais de um endereço.

Com Agência Brasil