Para Dilma e Lula, vitória no processo de impeachment no Senado está mais fácil

Petistas concederam entrevistas a rádios nesta terça (12)

Em entrevistas a rádios nesta terça-feira (12), o ex-presidente Lula e a presidente afastada, Dilma Rousseff, se mostraram otimistas com o resultado da votação do processo de impeachment no Senado Federal. De acordo com os petistas, o governo Temer não deve passar de agosto.

"Derrotar o impeachment está mais fácil do que antes", disse Lula em entrevista à Rádio Jornal, em Petrolina (PE). De acordo com as contas do líder petista, falta o apoio de apenas seis senadores para que Dilma volte ao governo federal. "A Câmara dos Deputados é incontrolável. Agora, no Senado, Dilma está dependendo de seis votos", afirmou o ex-presidente.

A avaliação positiva é compartilhada por Dilma Rousseff. Em entrevista à Rádio Capital, de São Paulo, a presidente afastada crê que vai reverter o processo de impeachment. "Quando voltar, vou ter de enxugar muita coisa, tem muita coisa errada sendo feita", afirmou.

Durante a conversa ao vivo, Dilma teceu elogios ao atual ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: "É uma pessoa competente na sua área. Eu não considero que o Henrique Meirelles represente este governo como um todo".

A petista, no entanto, fez críticas à política econômica. Para ela, os investimentos em saúde e educação não deveriam ser reduzidos. Ela também criticou a meta fiscal de 2016, que está prevista em R$ 170,5 bilhões. "Todos sabem que o déficit não era deste tamanho", disse a presidente afastada.

Na rádio nordestina, Lula comentou que Dilma cometeu erros durante o mandato. "Ninguém se conformou da Dilma ter dito durante a campanha que não ia mexer no bolso e no direito do trabalhador e depois apresentar um projeto de reforma que não era aquele que o trabalhador queria. Isso jogou todo o nosso pessoal contra ela. Em março, ela perdeu mais de 80% das pessoas que tinham votado na gente", declarou o petista.

Para o ex-presidente, no entanto, os equívocos não justificam a perda do cargo: "Ter baixa popularidade não é motivo para um golpe, para destitui-la. Não é porque uma presidente não está bem nas pesquisas que se pode afastá-la", disse.