Teori Zavascki tira Aécio Neves de investigação da Lava Jato no STF

Novos indícios  tratam de camuflagem de dados do Banco Rural para esconder mensalão mineiro

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) poderá deixar de ser investigado no âmbito da operação Lava Jato. O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o segundo pedido de abertura de inquérito do Ministério Público Federal (MPF) não tem relação com o esquema de corrupção na Petrobras. Com isso, Teori abre mão da relatoria do caso do presidente do PSDB.

Apesar de o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estar baseado na delação do senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS), Teori avaliou que o caso tem conexão com outro inquérito apresentado ao Supremo, o que apura o pagamento de propina a Aécio ligado a Furnas, e que, por isso, ele deveria ser encaminhado ao ministro Gilmar Mendes pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski.

"Diante da correlação direta dos fatos narrados neste procedimento com aqueles descritos em inquérito redistribuído nesta data, submeto o caso à Presidência desta Corte, para análise de possível redistribuição do presente procedimento ao Ministro Gilmar Mendes", escreveu Teori.

Nesta quinta-feira (12), o ministro Gilmar Mendes suspendeu a abertura de inquérito contra Aécio Neves sobre o suposto esquema de corrupção em Furnas. A determinação de Gilmar ocorreu menos de 24 horas depois de a defesa do senador tucano apresentar seus argumentos.

No início de maio, Janot pediu autorização ao Supremo para abrir um novo inquérito para investigar Aécio Neves, o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). A suspeita é que Aécio, Sampaio e Paes tenham tentado ocultar da CPI dos Correios, em 2005, informações sobre a compra de votos no chamado mensalão do PSDB, também conhecido como "mensalão mineiro", como troca de apoio na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Na delação, o ex-senador Delcídio apontou supostas irregularidades na maquiagem de dados do extinto Banco Rural e que têm relação com o mensalão do PSDB na CPI dos Correios. À época, Delcídio era presidente da CPI em questão.