'Clarín': "Brasil precisa repensar o impeachment", diz cientista político

Saída de Dilma significa legitimar que a elite brasileira ainda reivindica o golpe militar de 1964.

O jornal argentino Clarín, traz na edição deste sábado (7) um artigo escrito pelo professor de ciências políticas Anibal Perez-Linan da Universiadade Pittsburgh, onde fala sobre a fragilidade da política da América latina, com tantos presidentes removidos de seus cargos. 

Ele inicia o texto questionando, para onde está indo o Brasil. A tragédia brasileira entrou em colapso com dois dogmas da política latino-americana. A primeira é que o Brasil opera sob um "presidencialismo de coalizão", capaz de garantir um bom governo. A segunda é que a ira popular abala os governos neoliberais.

Segundo a reportagem, aqueles que denunciam o julgamento de Dilma Rousseff como um novo tipo de golpe tramado pela direita, esquecem a história recente da América Latina. Entre 1978 e 2015, sete presidentes eleitos foram demitidos pela ação do Congresso e outros cinco presidentes latino-americanos renunciaram em meio a uma crise política. 

Clarín ressalta que vale lembrar que os movimentos de esquerda apoiaram a maioria dessas demissões. Em quase todos os casos, os encargos legais eram apenas uma desculpa para remover um presidente altamente impopular. E o processo legislativo era duvidoso. Abdala Bucaram do Equador foi declarado mentalmente incapaz de governar. Raul Cubas Grau do Paraguai foi processado com diferença de apenas um voto, enquanto um deputado estava trancado no banheiro para empatar a votação.

As condições que conduzem os julgamentos políticos de hoje são, em parte, as mesmas que levaram aos golpes militares do passado: recessão econômica, mobilização social e as elites sem escrúpulos. Mas o resultado não é o mesmo. Um golpe tramado por diversos setores pedindo erroneamente o impeachment de Dilma Rousseff, significa legitimar que a maioria da elite brasileira ainda reivindica o golpe militar de 1964.

De acordo com a matéria do cientista político, Dilma está em perigo porque perdeu sua coalizão no Congresso, e com ele o escudo protetor para blinda la contra manobras legislativas.

Até agora, os cientistas políticos consideravam o Brasil como um exemplo bem sucedido de presidencialismo de coalizão. Nenhum presidente brasileiro tem a maioria no Congresso, mas a distribuição de ministérios entre partidos aliados permite que os presidentes construam coalizões e evitem a paralisia. Em um Congresso tão fragmentado, as ameaças de impeachment são abundantes. Mas só Fernando Collor foi derrubado há mais de duas décadas atrás, finaliza o professor Anibal Perez-Linan da Universiadade Pittsburgh.

Para ler matéria na íntegra, clique aqui:

https://www.clarin.com/opinion/Brasil-preciso-repensar-juicio-politico_0_1564643616.html