Rui Falcão ao La Nación: "No domingo teremos clima de Copa do Mundo"

Presidente do PT acrescenta que "Se vencermos, como espero, o Brasil será hexacampeão"

O jornal La Nación entrevistou Rui Falcão, Presidente do Partido dos Trabalhadores e publicou nesta quarta-feira (13). Com um cenário de contastes mudanças, ninguém se atreve a prever o que acontecerá no domingo, na votação da Câmara dos Deputados onde será decidido se haverá ou não o impeachment contra Dilma Rousseff. Até o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), que fica atento ao telefone para acompanhar as notícias instantaneamente. Mas adianta:

"No domingo vamos ter clima de final da Copa do Mundo. Se vencermos, como espero, será como se o Brasil se tornasse hexacampeão ; Se perdermos, será pior do que a derrotar por 7-1 contra a Alemanha"

Aos 72 anos, este antigo jornalista e ex-deputado paulista está ciente de que seu agrupamento tradicional se perdeu durante este processo de impeachment, que vem depois de quase 13 anos no partido no poder, com desgastantes escândalos de corrupção, recessão econômica e crise política na coalizão de governo. Ainda assim, ele nega as acusações que recaem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a compra de votos no Congresso. 

La Nación: O PT foi traído? E Dilma? 

RF: Eu não diria isso; São diferentes visões de enfrentar a crise sob a suposição de que é necessário corrigir erros. Haviam assuntos a ser discutidos e resolvidos, mas não foram tratados como prioridade pelo governo. Isso resultou imediatamente em uma popularidade sobre a ideia de deposição da presidente. O PT foi muito prejudicado pelo caso de corrupção na Petrobras, mediante acusações de desvio de dinheiro para financiar campanhas. Como todos os outros partidos, o PT participou das regras de financiamento, embora tenhamos sempre defendido o financiamento através de fundos públicos e não-comerciais. 

Mas, ao praticar o que os outros fizeram, perdemos nosso diferencial. Foi um erro coletivo. Continuamos com o financiamento das empresas, o que além de abrir portas para a economia, também gerou especulação sobre corrupção. 

La Nación: Em um cenário em que o impeachment é derrotado no Congresso, como o governo poderia garantir um bom governo, já que foi abandonado por vários de seus parceiros, e tem grande parte da população e da comunidade empresarial contra o PT?

RF: Eles vão voltar a criar perspectiva de crescimento, através do diálogo. Deve ser implementado um plano cuja tarefa central de criação, aborde a reforma tributária, envolvendo investimentos em infraestrutura, e a melhoria dos serviços sociais. E, por outro lado, a reforma política com a democratização dos meios de comunicação.

La Nación: Manter Dilma no poder é um mal necessário para o PT?

RF: Não, ela é uma pessoa determinada, que tem todo o compromisso com a nossa luta; Nossa presidente tem um passado fortemente ligado, identifica-se com o PT, com a luta social pela democracia. O que nós precisamos é de uma correção de curso, e não uma mudança de governo. Pelo contrário, defendemos seu mandato porque tem a legitimidade do voto popular. Quem quiser chegar ao poder deve esperar até 2018.

La Nación: Se o impeachment for aprovado, há um risco de violência, como aconteceu nos protestos de 2013?

RF: Não da nossa parte. Precisamos manter a pressão social nas ruas, mas não de forma agressiva. Nós procuramos a paz, mas se eles se voltarem contra nós, não vamos baixar a cabeça.

La Nación: Na Argentina há uma preocupação sobre o que está acontecendo no Brasil. 

RF: O presidente Mauricio Macri está nos ajudando a fortalecer a nossa posição, mas pelo que vejo no noticiário, as pessoas não estão gostando do que ele está fazendo, apesar dele ter sido eleito democraticamente, ao contrário de Temer. A estabilidade do Brasil e o estreitamento das relações com a Argentina estão dependendo do impeachment, que está atrasando tudo aqui. Com a aprovação do impeachment, o clima de agitação e instabilidade política será muito pior.

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