'Cenário ainda está mais favorável ao PT', diz cientista política sobre impeachment

Ainda que volátil, conjuntura favorece a presidente Dilma

Ainda que seja difícil traçar qualquer prognóstico para a votação do processo do impeachment, que ocorre no próximo domingo (17), a cientista política Simone Cuber acredita que o cenário atual está um pouco mais favorável ao governo. 

"Acho que ninguém consegue cravar um resultado, mas a conjuntura está mais favorável ao PT, já que podemos contar com que alguns deputados se ausentem", disse a doutora em Ciência Política pelo IESP/Uerj.

Ainda que tenha desembarcado da base aliada do governo, o PP anunciou, nesta terça-feira, (12), que a maioria da bancada vai votar pelo impeachment, mas, ainda assim, dá para contar com dissidentes.

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Além disso, se fosse possível usar uma proporção igual à votação da Comissão Especial do Impeachment, que ocorreu na segunda-feira (11), o cenário seria ainda mais otimista para a presidente Dilma Rousseff. "Alguns analistas consideravam que a derrota na comissão muito maior, mas não foi. Os deputados indecisos acabaram votando contra o impeachment porque se deram conta da fragilidade dos argumentos que o sustentam", disse Simone.

Se a Câmara votar pela continuidade do processo, o impeachment vai ser avaliado pelo Senado Federal. Para Simone, a maior parte dos senadores, atualmente, também se mostra mais inclinada a votar com o governo. "No Senado, hoje, não passaria. Mas, se passar pela Câmara, precisamos reavaliar como os partidos se dividiram dentro da votação no domingo", comentou.

Para a doutora em Ciência Política, os argumentos de que as pedaladas fiscais configuram crime de responsabilidade são frágeis. No entanto, ela ressalta que a questão jurídica não deve ser levada em conta na votação: "Não são juízes que vão julgar, são políticos. Eles costumam desconsiderar questões jurídicas em prol da configuração das forças. O impeachment é um processo basicamente político".

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PMDB, PSDB e DEM

Caso o processo do impeachment passe pelas casas legislativas e o vice-presidente da República, Michel Temer, assuma a chefia do Executivo federal, a avaliação de Simone é que os ajustes econômicos que prejudicam as classes trabalhadoras vão se intensificar. "Os ajustes implementados pela Dilma foram bem pensados, planejados para que não impactassem fortemente a população. Em um governo peemedebista, com apoio do PSDB e do DEM, essas medidas vão ser tomadas sem nenhum pudor", avaliou a cientista política.

A agenda econômica desses partidos deve privilegiar a diminuição do Estado e a continuidade de leis tributárias que penalizam as classes mais baixas, acredita Simone: "Não é à toa que a FIESP está tão empenhada pela saída da presidente. Basta voltarmos 14 anos e vamos ter uma ideia de como vão ser os próximos dois", analisou.

*Do projeto de estágio do JB.

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