'Financial Times': Dilma Rousseff, presidente do Brasil sob fogo cruzado

Primeira mulher eleita a presidência do país está enfrentando uma difícil batalha política

Matéria publicada neste sábado (2) no Financial Times, fala sobre a  gravação interceptada por um grampo no telefone do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela polícia, que pode acabar custando o cargo da presidente do Brasil, Dilma Rousseff. 

"Olá?" É a voz rouca de Luiz Inácio Lula da Silva, seu antecessor. Ele é colocado em espera enquanto uma nova voz surge. Rousseff fala: Lula, você vai receber um documento que aprova a sua nomeação como ministro, e deve ser usado somente se necessário, OK?" "Obrigado, querida", ele responde.

A reportagem conta que, para a oposição, a conversa evidência que Dilma, primeira líder feminina do Brasil, ex-guerrilheira marxista que tem governado o maior país da América Latina há mais de cinco anos, estava tentando evitar a possibilidade de prisão do seu mentor, acusado de corrupção. O tribunal que divulgou a gravação no mês passado está presidindo uma ampla investigação de casos de suborno, corrupção e outras negociações ilegais na relacionados a empresa petrolífera estatal Petrobras, com prejuízo estimado em até US $ 12 bilhões. Segundo a legislação brasileira, uma posição no gabinete iria proteger o Sr. Lula da Silva, possibilitando assim ser julgado em foro privilegiado. 

O jornal destaca que a gravação de apenas 30 segundos provocou protestos em mais de 15 cidades brasileiras, com estimativa de 3 milhões de pessoas pedindo a saída da presidente. A fatídica ligação também acelerou a campanha e o processo de impeachment no Congresso contra o presidente, que culminou esta semana com seu principal parceiro de coalizão deixando o governo.