'El País': Esquerda se une contra impeachment e supera mobilização anti-Dilma em SP

Protesto em São Paulo teve 55.000 pessoas. Ato pró-impeachment teve 40.300

Matéria publicada nesta quinta-feira (17) no jornal El País, analisa que movimentos que até poucos meses não conseguiam chegar a um acordo se unificaram. Sob o risco da continuidade do processo de impeachment no Congresso, a presidente Dilma Rousseff conseguiu um reforço importante fora das esferas de decisão de Brasília. Nesta quarta-feira (16), os movimentos de esquerda deram sinais de que parecem estar dispostos a se unir o para defendê-la nas ruas, mesmo divergindo de muitas das medidas tomadas por ela neste segundo mandato. Pela manhã, um grupo composto pelos principais intelectuais do país lançou um manifesto contrário ao impeachment, em São Paulo. À tarde, milhares de movimentos sociais ligados a correntes partidárias que não conseguiam se entender diante de algumas pautas até poucos meses atrás, uniram-se em um ato que tomou a avenida Paulista e a rua da Consolação, em São Paulo, para gritar contra o que chamam de “golpe da oposição”. A união das entidades de esquerda fez com que a marcha anti-impeachment superasse em número os manifestantes pró-impeachment, que lotaram a Paulista no último domingo, por um placar de 55.000 pessoas contra 40.300, segundo a fontes. Além de São Paulo, outros 25 Estados e o Distrito Federal também tiveram atos anti-impeachment, mas com menos participantes.

Apesar de fazerem questão de deixar claro que não pretendem defender a política de ajuste adotada por Rousseff e de criticarem ocasionalmente o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, responsável pelos cortes, os gritos de apoio ao mandato da presidente se sobrepuseram desta vez. Entre os movimentos, o discurso de consenso era de que se está ruim com ela, pior será se o PMDB assumir o poder, por meio do vice-presidente Michel Temer. “O impeachment representa um claro retrocesso”, taxou o grupo de organizadores, em um manifesto lido por lideranças de três entidades: o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), mais alinhado ao PSOL e que faz críticas mais duras ao Governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e o sindicato dos professores estaduais de São Paulo (Apeoesp), ligados ao PT. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), alinhada ao partido governista, também era uma das organizadoras, e conseguiu mostrar sua musculatura, levando uma grande parte dos manifestantes desta quarta-feira. Também estavam presentes movimentos feministas e pessoas que não eram ligadas a nenhuma entidade, mas são contrárias ao impeachment.