Cerveró liga empresa de Esteves a propina, diz jornal

Suposto suborno de R$ 10 milhões teria beneficiado Fernando Collor

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró afirmou em delação premiada que os proprietários da rede de postos Derivados do Brasil (DVBR), o empresário Carlos Alberto de Oliveira Santiago, o fundador do Banco BTG Pactual André Esteves e outros sócios, foram os responsáveis pelo pagamento de suposta propina ao senador Fernando Collor (PTB-AL), no valor aproximado de R$ 10 milhões. As informações foram publicadas nesta terça-feira (15/12), no jornal "Valor Econômico".

Segundo o jornal, o pagamento estaria relacionado a uma negociação feita em 2010 entre a DVBR e a Petrobras. Na operação, a BR Distribuidora teria pago cerca de R$ 150 milhões à rede de postos pelo embandeiramento dos postos com a marca da estatal.

A afirmação foi feita em depoimento em delação premiada de Cerveró no dia 19 de novembro, em seu termo de colaboração de número 3, prestado à Procuradoria Geral da República (PGR), em Curitiba, e obtido com exclusividade pelo “Valor PRO”, serviço em tempo real do “Valor”.

Segundo o jornal, Cerveró relatou sua participação no negócio com a rede de postos de combustíveis em sociedade entre o empresário Santiago e executivos do mercado financeiro que viriam a ser donos do BTG Pactual, quando a instituição financeira foi recomprada do suíço UBS pelo grupo. No depoimento , Cerveró não faz distinção entre a figura de Esteves e seus sócios e a do banco BTG Pactual, muito embora o negócio de postos não fosse do banco, mas sim de alguns dos seus acionistas. O ex-executivo da Petrobras também não especifica quem foi o negociador pela DVBR e nem a fonte pagadora da propina.

Na segunda página do termo, publicado pelo "Valor" consta: “que sabe (Cerveró) que quem pagou a propina foi o grupo proprietário da rede de postos (Caros Santiago e BTG)”.

A DVBR, criada por Santiago, recebeu Esteves como sócio em 2009, abaixo de uma holding denominada BTG Alpha Participações. Consultado pelo jornal, o BTG Pactual disse que o banco e a holding de investimentos, sempre foram mantidos apartados.

Segundo o relato de Cerveró, em 2010, quando ele ocupava a diretoria financeira da BR Distribuidora, "surgiu o interesse dessa sociedade [DVBR] em vender a rede de postos para a BR Distribuidora; que chegou a ser negociado o valor de R$ 150 milhões para a compra da rede de postos pela BR Distribuidora". 

De acordo com Cerveró, a questão foi levada ao seu conhecimento e ele teria dito que não disporia de R$ 150 milhões no orçamento da BR. Diz ainda que o então presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto "estava pressionado para sair o negócio; que quem conduziu o negócio foi o diretor da rede de postos de Serviço da BR, Luiz Cláudio Caseira Sanches; que diante de todo esse movimento para que o negócio saísse, o declarante sugeriu que , em vez de aquisição  da rede de postos. fosse um contrato de embandeiramento dessa rede de postos de combustíveis, no mesmo valor; que o embandeiramento gerava uma troca de rubrica orçamentária, viabilizando o contrato; que a aquisição seria uma despesa de investimento; que o embandeiramento gerou uma despesa de custeio; que, como custeio, era viável  comprometer R$ 150 milhões.

Cerveró afirmou ainda "que sabia que, com base nessa negociação, tinha sido acertado um pagamento de propina de cerca de R$ 10 milhões para o senador Fernando Collor, que soube isso por meio de Pedro Paulo Leoni Ramos (ex-ministro de Assuntos Estratégicos durante o mandato de Collor - 1990 a 1992), operador de Fernando Collor de Mello, e Luiz Cláudio Caseira Sanches, que havia sido indicado para a diretoria da BR Distribuidora pelo parlamentar".

Cerveró alegou que não recebeu valores indevidos nessa operação. "Mas cobrou a realização dos repasses para si, perante Luiz Cláudio Caseira Sanches, o qual negou a realização dos repasses solicitados pelo declarante". 

Collor e Leoni Ramos foram denunciados pela PGR por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o jornal, o senador petebista não respondeu aos pedidos de esclarecimentos.

Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, advogado de André Esteves (ex-presidente do BTG) disse ao "Valor" que o empresário "nunca foi à BR Distribuidora" e que Esteves não teve nenhuma participação no negócio.