'El País': Carta vazada, vinho na cara e reais alados refletem a volta do Brasil de Chatô

Com uma pérola atrás da outra, o país está parecendo é com o dos anos de Chateaubriand

Matéria publicada no El País, dia 13 de dezembro, comenta que os últimos fatos da política brasileira, dão a impressão de déjà vu, como se já tivéssemos passado por situações bem parecidas anteriormente. Assim está o caso de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética. Na próxima terça-feira (15), acontecerá pela sétima vez uma reunião para se definir entre o "sim" ou "não" para o processo movido contra o presidente da Câmara. Repare: a acusação de que Cunha teria mentido na CPI da Petrobras e escondido dinheiro fora do país, nem começou a ser analisada. Por enquanto, a questão é somente decidir se o processo terá andamento. 

A reportagem também fala sobre o termo  “vossa excelência”, que se faz necessário explicar, é um must de Brasília. Impossível, por exemplo, chegar numa votação no Plenário, num julgamento do Supremo Tribunal Federal, numa Comissão Parlamentar de Inquérito e sair tratando os outros por “você”. Tanto é que nem nos arranca-rabos mais ferrenhos do DF, o uso do pronome de tratamento é dispensável. Já teve “vossa excelência é moleque”, “vossa excelência é um safado” e, em um dos episódios mais tensos dos anais da Justiça, protagonizado por Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa , “vossa excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso”.

Não apenas um must, o “vossa excelência” é uma salvaguarda da seriedade brasiliense e, por isso mesmo, uma espécie de tratamento entre os mebros do Planalto Central. Se vier seguido de alguma discussão mais quente: a coisa é pra valer. Foi o que se viu nessa quinta-feira (10), em que os deputados Wellington Roberto (PR-PB) e Zé Geraldo (PT-PA) extrapolaram, chegando de fato aos tapas. Ao ser acusado pelo petista de fazer parte da “turma do Cunha” que estaria lá para “bagunçar”, Roberto começou a gritar: “bagunceiro é você, bagunceiro é você”. No que poderia ser descrito como uma briga escolar, o "vossa excelência" foi para as cucuias, os dois trocaram safanões, precisaram ser contidos e a reunião acabou interrompida para que eles se acalmassem.

Brincadeiras à parte, com o episódio, só mais um dos que andaram acontecendo nessa crise política com ares de roteiro de novela, o Brasil de agora aparece com um Brasil do passado, quando o “rei” Assis Chateaubriand, dono de um império midiático no século XX, retratado no recém-lançado filme Chatô, entrava em reuniões de peixeira na cinta, botava governos de joelho e interrompia telenovelas para gritar toda sorte de impropérios contra seus opositores.