Nome de relator de processo contra Cunha será anunciado nesta quinta-feira

Presidente do Conselho de Ética adiou escolha entre três deputados sorteados

 O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, José Carlos Araújo (PSD-BA), anuncia nesta quinta-feira (5), o relator do processo contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha. Araújo tinha prometido divulgar o nome até as 17h de quarta-feira, mas decidiu adiar para hoje para ter mais tempo para analisar os nomes.

Na terça (3), o Conselho de Ética abriu formalmente o processo em que Eduardo Cunha é acusado de suposta quebra de decoro. O relator do caso deve ficar entre Fausto Pinato (PRB-SP), Vinicius Gurgel (PR-AP) e Zé Geraldo (PT-PA). Os três foram sorteados entre os integrantes do colegiado que não são do PMDB nem do Rio de Janeiro, partido e estado de Eduardo Cunha. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) também ficou fora do sorteio por ter disputado a presidência da Câmara com Cunha, em fevereiro.

A escolha do relator cabe exclusivamente ao presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), que explicou o seu critério de análise: "Com certeza, todos os três têm condições de ser relator e vou escolher aquele que eu entender que está mais preparado, a meu ver, para desempenhar essa função. Vai depender do modus operandi da investigação; que tenha isenção, faça justiça e examine todas as provas e todo o processo com muita seriedade".

Araújo afirmou que vai cobrar rapidez na tramitação do processo, mas com garantia de ampla defesa. O processo deve durar cerca de 90 dias úteis. Assim que tiver o seu nome definido, o relator terá dez dias para apresentar um parecer preliminar e, a partir daí, será aberto prazo, também de dez dias, para a defesa de Eduardo Cunha se pronunciar.

'Dólares' em Cunha

Na tarde de quarta-feira (04), cinco jovens do Levante Popular da Juventude que acompanhavam a sessão diária no Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília, fizeram uma intervenção e jogaram em Eduardo Cunha milhares de "dólares" fictícios estampados com o rosto do deputado. Segundo o movimento, a ação "objetivou escancarar as acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro". Dois jovens que fizeram a ação foram detidos.

Cunha é acusado de receber US$ 5 milhões, segundo o Ministério Público Federal, para facilitar o contrato de aluguel de navios-sonda entre a Petrobras e a empresa Sansung Heavy Industries. As denúncias fazem parte da operação Lava Jato e tiveram novas provas para endossar as acusações com o envio de documentos dos Bancos da Suíça nos quais Cunha supostamente escondia o dinheiro.

Jovens de vários estados brasileiros têm impulsionado uma série de ações nos últimos dias pedindo a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Na manhã desta quarta, 12 capitais brasileiras amanheceram com faixas penduradas em pontes, viadutos, universidades e avenidas com o dizer "Fora Cunha". 

Na segunda-feira, dia 2, aproximadamente 400 jovens fizeram um protesto na frente da residência do parlamentar.

Representação

A representação contra o presidente da Câmara foi apresentada em outubro pelo Psol e pela Rede Sustentabilidade com base, sobretudo, nas supostas contas secretas de Eduardo Cunha na Suíça e nas denúncias de delatores da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, conforme sustenta o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ): "A representação não é fundamentada no `ouvi dizer´, mas em elementos robustíssimos que afetam o funcionamento da própria democracia brasileira".

Eduardo Cunha tem negado todas as acusações. Ele disse que foi escolhido para ser investigado como parte de uma tentativa do governo de calar e retaliar a sua atuação política. A sua assessoria divulgou uma nota a respeito das denúncias sobre contas na Suíça.