Questionamentos a ministro geram divergências em CPI dos Crimes Cibernéticos

Durante o seu depoimento à CPI dos Crimes Cibernéticos, o ministro Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), foi questionado a respeito dos investimentos publicitários oficiais em sites de apoio ao governo e às denúncias da Operação Lava Jato sobre propina em troca de verba publicitária e recursos ilegais na campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff em 2014 – da qual Edinho Silva foi coordenador financeiro. O questionamento causou bate boca entre deputados do governo e da oposição.

“A Secom tem ingerência nas campanhas de empresas como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde, já que o ex-deputado André Vargas foi condenado a 14 anos de prisão por intermediar a contratação de empresas de publicidade pelo ministério?”, perguntou o deputado Daniel Coelho (PSDB-PE).

O deputado fez outras perguntas. “E o pagamento de R$ 120 mil a sites favoráveis ao governo, como o Brasil 247, relatado pelo empresário Milton Pascovitch, investigado pela Operação Lava Jato?”, questionou

O deputado Leo de Brito (PT-AC), vice-presidente da CPI, interrompeu o deputado, alegando que esses assuntos não fazem parte do objeto da CPI. “Não admito que censurem minhas perguntas. O ministro é convidado, não está sendo ouvido como investigado e responde se quiser”, reagiu Coelho.

Ex-tesoureiro da campanha de Dilma no ano passado, Edinho Silva foi citado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, em depoimento de sua delação premiada. O ministro negou irregularidades na campanha presidencial e disse que a Secom não tem ingerência direta nas campanhas dos demais órgãos do governo.

“Tenho honra de ter sido coordenador financeiro da campanha da presidenta Dilma e todo o meu trabalho foi feito dentro da lei e da ética. Tenho convicção do que fiz e tenho convicção de que em nenhum momento a campanha fugiu do que determina a lei”, declarou Edinho Silva.