Operação Zelotes: Fazenda confirma cumprimento de sete mandados 

Segundo o ministério, investigação aponta para novos envolvidos nas irregularidades

Em nota oficial enviada à imprensa, o Ministério da Fazenda confirmou que, em sua terceira fase, a Operação Zelotes cumpriu nesta quinta-feira (8) sete mandados de busca e apreensão - sendo cinco em Brasília e dois no Rio de Janeiro. A ação tinha como objetivo coletar novos documentos para aprofundar os trabalhos de investigação que, segundo a pasta, apontam para irregularidades coordenadas por agentes públicos e privados.

"As investigações têm apontado para a existência de irregularidades que consistiram na manipulação de decisões, mediante a atuação coordenada de agentes públicos e privados, com a finalidade de reduzir ou extinguir débitos tributários com o consequente prejuízo para a Administração Pública", afirma o texto.  

De acordo com a Fazenda, os mandados foram requeridos à Justiça "após a análise do material apreendido em 26 de março, na execução da primeira etapa da operação realizada em 41 endereços". As novas buscas foram determinadas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) após análise de recurso interposto pelo Ministério Público Federal (MPF), em face do indeferimento inicial do Juiz Federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

Ainda segundo a nota, as investigações continuam relevando a participação de novas pessoas no "esquema ilícito de manipulação de julgamento de processos administrativos fiscais" no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Carf). "Os processos vinculados à investigação tramitam em segredo de justiça, razão pela qual os alvos da operação não poderão ser informados", finaliza o texto.

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Os mandados desta quinta, de acordo com a PF, aprofundam investigações a partir de documentos apreendidos em março, na primeira etapa. Esses documentos, segundo a polícia, têm indícios de participação de um novo conselheiro do Carf no esquema e de escritórios de advocacia ligados a ele.

A PF também informou que nos sete meses de investigação até aqui ficou "comprovado" que conselheiros do Carf e funcionários do órgão "defendiam interesses privados, em detrimento da União", "valendo-se de informações privilegiadas".

Segundo as apurações, conselheiros suspeitos de integrar o esquema criminoso passavam informações privilegiadas de dentro do Carf para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia.

Esses escritórios, de acordo com os investigadores, procuravam empresas multadas pela Receita Federal e prometiam controlar o resultado dos julgamentos de recursos. O esquema teria movimentado R$ 19 bilhões em irregularmente.

Por Ana Siqueira