Cunha aceita acareação, mas diz que o mesmo deve ser feito com outros políticos

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse hoje (20), em evento partidário no Rio de Janeiro, que não se opõe a uma possível acareação com o ex-consultor da Toyo Setal, Júlio Camargo, contanto que outras acareações sejam feitas, incluindo uma entre a presidenta Dilma Rousseff e o doleiro Alberto Youssef.

“Não tenho nenhum problema, faço acareação com quem quiser, a qualquer tempo, mas aproveita e chama o [Aloizio] Mercadante e o Edinho Silva para acareação com o Ricardo Pessoa e a presidente Dilma [Rousseff] para acareação com o Youssef. Acho justo que haja acareação de todos que foram citados”, declarou o deputado.

Segundo o parlamentar fluminense, “é preciso convocar todos que estão em contradição, pois quando os ministros Mercadante e Edinho negam o que foi colocado pelo delator Ricardo Pessoa, ou quando a presidente Dilma nega o que foi colocado pelo delator Yousseff, é preciso que se faça a acareação de todos”.

O pedido de acareação entre Cunha e Camargo foi protocolado na manhã de hoje (20) na secretaria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras.  O colegiado pode decidir a qualquer momento se acata ou não o requerimento da deputada federal Eliziane Gama (PPS-MA) uma vez que, pelo Regimento Interno da Casa, a CPI pode funcionar normalmente durante o recesso parlamentar, que só terminará em 1º de agosto.

Cunha reafirmou que não buscará vingança do governo como presidente da Casa. “Manteremos uma pauta com independência, harmonia entre os Poderes, e nenhuma pauta bomba. Não queremos tacar fogo no país. Mudei meu alinhamento político com relação ao governo, mas não significa que meu papel como presidente da Câmara vai mudar”, disse ele.

O deputado anunciou rompimento com o governo na sexta-feira (17), após sair na imprensa a acusação de Júlio Camargo, de que o presidente da Câmara recebeu US$ 5 milhões para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras para a empresa Toyo Setal.