Evento reflete sobre função social da terra e segurança alimentar

Para discutir a função social da terra e a soberania alimentar no país, a Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) deu início a uma oficina de trabalho para debater a encíclica do Papa Francisco - Laudato Si. O documento é uma carta circular onde o papa faz reflexões sobre temas da doutrina católica. Dessa vez, a observação é sobre o consumismo e o uso sustentável dos recursos naturais.

Segundo a secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Maria Fernanda Ramos Coelho, o debate em torno da encíclica é especial, pois desperta uma melhor interação entre o homem e o meio ambiente. “A carta do Papa faz toda uma discussão sobre a ecologia integral, sobre o respeito aos bens naturais, a produção de alimentos saudáveis e o esgotamento de um modelo perverso de exploração do meio ambiente. Além disso, traz uma reflexão sobre as relações humanas não só no ambiente rural, mas também no urbano”, afirmou.

No lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2015/2016, em junho, o Governo Federal reconheceu a contribuição dos produtores familiares para a segurança alimentar, à conservação ambiental e a produção de alimentos saudáveis. De acordo com a secretária-executiva do MDA, as iniciativas públicas para o setor seguem três eixos básicos. “O eixo agrário, com foco na distribuição de terras; o agrícola, que envolve a produção de alimentos; e o eixo da cidadania e qualidade de vida no campo”, observou.

O bispo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Guilherme Werlang, comentou também a reflexão papal. “A encíclica aborda diversas questões, mas especialmente as questões de ecologia e meio ambiente vinculados à questão social. O Papa Francisco chama toda humanidade para uma reflexão séria e profunda sobre a relação que nós criamos com a mãe terra e com a natureza”, afirmou.

Dom Guilherme critica os modelos de produção baseados exclusivamente no lucro. “Quando nós colocamos o ser humano como dominador, com poder absoluto, e olhamos a terra como uma mercadoria de produção de riquezas, o que acontece é que o mais forte explora tudo o que quer e como quer, sem medir as consequências. Um exemplo disso é o enorme uso de veneno na produção de alimentos e aumento de doenças no mundo”, afirma.