Empresa suíça de impressão de notas é investigada por corrupção no Brasil

Sicpa teria pago propinas como parte de processo de licitação fraudulenta

Uma empresa suíça que desempenha um papel central na impressão de notas de banco na Grécia e outras partes da Europa foi pega em um escândalo de corrupção no Brasil sobre a renovação de contratos avaliados em € 1,7 bilhões. É o que diz um artigo de James Panichi and Ivo Oliveira, do jornal Politico, publicado nesta quinta-feira (16/07) 

O braço brasileiro da Sicpa, com sede em Lausanne, que fornece a tecnologia de tinta usada para impressão de alta segurança em todo o mundo, está sendo  investigada pela polícia federal brasileira e o ministério da Fazenda sobre suspeitas de que pagou propinas estimadas em 100 milhões de reais (€ 27 milhões) como parte de um processo fraudulento de licitação.

De acordo com o Ministério da Fazenda do Brasil, a investigação começou com 2013 quando o novo presidente da Casa da Moeda brasileira informou à polícia que ele descobriu evidências sugerindo que funcionários manipularam o delicado processo para beneficiar a Sicpa, que já fornece serviços para a Casa da Moeda.

 No dia 1 de julho, a polícia brasileira emitiu e realizou 23 mandados e busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília como parte da investigação de dois anos apelidada Operação Vício. A sede brasileira da Sicpa estava entre os escritórios investigados.

Em uma declaração ao jornal Politico, a Sicpa afirmou “não ter cometido qualquer irregularidade” no Brasil e que está “cooperando plenamente com as autoridades brasileiras durante a investigação em curso.”

A empresa privada, que emprega mais de 3.000 pessoas em todo o mundo e fornece serviços de impressão de segurança em 200 países, afirmou que “preencheu todos os requisitos legais e operacionais relacionados a esse contrato com [a unidade brasileira].”

Apesar da companhia ter confirmado anteriormente que tinha um contrato com o banco central grego para fornecer tinta e tecnologia de impressão, se recusou a comentar sobre a natureza ou o valor desse contrato.

O Banco da Grécia disse ao Politico que não pode “comentar sobre as notas de euro relacionadas ao trabalho de impressão” enquanto o Banco Central Europeu também disse que “não publica informações desse tipo” quando questionada sobre detalhes do contrato.

Os problemas da Sicpa no Brasil estão ligados à renovação de dois contratos separados para fornecer tecnologia visando prevenir a venda de produtos falsificados de refrigerante, álcool e tabaco — dos quais se estima que juntos custam cerca de € 600 milhões por ano ao Brasil em receita perdida.

O primeiro contrato da Sicpa com o governo brasileiro era por tecnologia que aplica rótulos avançados a maços de cigarro quando eles saem da linha de produção, tornando o Seal do governo difícil de falsificar e estabelecendo um banco de dados para rastrear os maços.

Entretanto, a investigação que está em curso no momento foca na renovação de um contrato separado para tecnologia de arrecadação de impostos que coloca uma marca digital não-removível em cada garrafa de refrigerante e cerveja vendida no Brasil.

Juntos, os contratos fazem parte de mais de 1,250 linhas de produção no Brasil e são estimados em € 1,7 bilhões, cm operações administradas por 14 escritórios da Sicpa espalhados por todo o país.