Comissão externa da Câmara vai aos EUA acompanhar investigação sobre a Fifa

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (28) a criação de uma comissão externa para ir aos Estados Unidos acompanhar as investigações da Justiça norte-americana sobre as denúncias de corrupção envolvendo o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, um dos presos. A CPI do Senado sobre o tema já foi lida em Plenário, mas, segundo o presidente da Comissão de Esporte da Câmara, deputado Márcio Marinho (PRB-BA), ainda há condições de que a CPI seja mista.

Também foi aprovado convite para uma audiência pública com o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, e os dirigentes esportivos Ricardo Teixeira e Kléber Leite.

A polícia da Suíça prendeu em Zurique, na sede da Fifa, sete dirigentes da entidade acusados de corrupção. Também foi anunciada uma investigação criminal sobre a escolha das sedes das duas próximas Copas do Mundo - Rússia em 2018 e Qatar em 2022.

A investigação é da Justiça norte-americana, que também apurou irregularidades em contrato da CBF com uma empresa de fornecimento de material esportivo e na compra de direitos de transmissão por agências de marketing esportivo de vários campeonatos, inclusive a Copa do Brasil.

O deputado Andrés Sanchez (PT-SP), ex-presidente do Corinthians, disse que esse pode se transformar em um bom momento para o futebol brasileiro: "É muito difícil para nós, que estamos no meio do futebol, mas é um momento também para a gente passar tudo a limpo. Ver até onde os clubes foram prejudicados, até onde os atletas foram prejudicados com todas estas coisas da Copa América, Libertadores, Copa do Brasil. Temos que tirar tudo isso a limpo".

O relator da medida provisória (MP 671/15) que reestrutura as dívidas dos clubes, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), também anunciou que pediu informações à embaixadora dos Estados Unidos, Liliana Ayalde.

"Queremos informações mais detalhadas sobre esse contexto criminoso, justamente para identificar se haverá um alcance, se a operação desta rede mafiosa se estendeu ao futebol brasileiro”, ressaltou o parlamentar. “Estamos todos perplexos com o que está acontecendo. Todas as medidas têm que ser tomadas porque não há mais espaço para corrupção ou para qualquer coisa que fique em caixa preta."

Entre 2000 e 2001, foi realizada uma CPI para investigar contratos de patrocínio da Nike à seleção brasileira. O relatório da comissão tinha mais de 600 páginas, mas acabou não sendo aprovado.