CPI da Petrobras: ex-vice-presidente da Camargo Corrêa admite pagamento de propina

O executivo Eduardo Hermelino Leite, ex-vice-presidente da construtora Camargo Côrrea, admitiu à CPI da Petrobras ter participado do pagamento de propina a agentes públicos e privados. Antes de ser interrogado, Leite leu uma declaração em que se diz arrependido e admite que executou os compromissos que a Camargo Correa tinha em relação a contratos com a Petrobras. 

“Lamentavelmente participei do pagamento de propina a agentes públicos e privados”, disse. Ele admitiu ter conhecido os ex-diretores da Petrobras Renato Duque e Paulo Roberto Costa, bem como o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-deputado José Janene, o doleiro Alberto Youssef e o executivo Júlio Camargo – todos acusados de participação no esquema de desvio de verbas da Petrobras. 

“Mais que arrependimento, tenho profunda frustração profissional”, disse o executivo aos parlamentares.

Hermelino Leite afirmou ainda que a propina de 2% do valor dos contratos que tinha com a estatal era contabilizada como custos pela empreiteira.

Ele disse que pagava 1% sobre o valor dos contratos para dois diretores da Petrobras: Paulo Roberto Costa (de Abastecimento) e Renato Duque (Serviços). Segundo ele, os pagamentos eram feitos por intermédio de dois operadores, o doleiro Alberto Youssef e o executivo Júlio Camargo, por meio de contratos de fachada com empresas de consultoria. “Isso entrava na contabilidade como custo, já que era pago a uma consultoria. Não era caixa dois”, disse.

Leite ficou preso quase quatro meses acusado de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e uso de documentos falsos. Ele foi libertado depois de fazer delação premiada, na qual admitiu ter pagado propina ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

Hermelino Leite chorou durante o depoimento, ao responder pergunta do deputado Carlos Andrade (PHS-RR) sobre o que o levou a fazer acordo de delação premiada com a Justiça.

Leite começou a explicar que a delação premiada foi uma estratégia jurídica, principalmente depois que seu nome foi mencionado na Operação Lava Jato. Segundo ele, a imagem pública de sua família também pesou na decisão.

O executivo ficou com a voz embargada ao falar dos filhos e foi obrigado a tirar os óculos para enxugar as lágrimas. “É nesses dois momentos que eu provoco prejuízo de imagem à minha família”, disse.