Com perfil diferenciado, protestos contra Dilma reúnem milhares

Militantes do PT foram hostilizados, inclusive com manifestantes acenando notas de dinheiro

Manifestantes realizam neste domingo (15), em vários estados e no Distrito Federal, protesto contra o governo Dilma Rousseff. Diferentemente dos atos de sexta-feira (13), quando o perfil dos manifestantes era de trabalhadores, neste domingo há muitas famílias, predominantemente branca, da classe média alta e alta, realizando protestos em bairros nobres dos principais estados.

Na orla de Copacabana, iates, veleiros e até jet skis foram usados no mar para estender faixas contra Dilma Roussef. Também ao contrário do que aconteceu na sexta, neste domingo há relatos de conflitos entre os que são contra e os que apoiam Dilma. Pelo menos dois militantes do PT, que vestiam camisa do partido, foram expulsos e tiveram que deixar as ruas escoltados pela polícia. Num dos casos, no Rio, os manifestantes contra Dilma chegaram a provocar sacudindo notas de R$ 50 para o militante, de aparência humilde, exigindo sua retirada. Havia também cartazes pedindo a volta dos militares ao poder.

Em Copacabana, o ato que reuniu 15 mil participantes começou com o hino nacional. Os discursos, no alto do carro de som, pediram o fim da corrupção, o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e fazem críticas também à condução do PT no governo.

O protesto foi acompanhado do alto dos prédios da orla por moradores que se manifestavam das janelas dos apartamentos portando bandeiras do Brasil.

Os manifestantes se concentraram na altura do Posto 5 e começaram uma caminhada em direção ao Leme. A maioria dos manifestantes vestia camisetas verdes e amarelas e carregava bandeiras do Brasil. 

Na esquina da Rua Constante Ramos com Avenida Atlântica, um senhor que saía da praia vestindo apenas sunga e chapéu foi hostilizado por defender a presidenta Dilma. Ele discutiu com alguns manifestantes e foi cercado por policiais para continuar seu trajeto.

Também contrário à manifestação, o fiscal da Fazenda Sérgio Moura, morador de Copacabana, foi cercado e agredido por pessoas que participavam do protesto após o gritar para os manifestantes "irem para Miami".

"[Os manifestantes] me agrediram, jogaram cerveja, me deram chute", relatou. "Não vou ficar calado. Vocês querem que tenha um golpe militar para todo mundo ficar calado? Eu defendo o meu direito de ser democrático. Vai para Miami, vai atrás do teu dinheiro", repetia o funcionário público para as pessoas na rua. Alguns manifestantes respondiam que ele fosse "para Cuba", entre eles, um advogado que não quis se identificar. “Ele veio provocar. Típico petista. Fica passeando aqui na Praia de Copacabana, mas para Cuba ele não vai”, criticou.

Protesto na Cinelândia e em Niterói

Por volta das 14 horas, um novo ato contra Dilma foi realizado na Cinelândia, no Centro do Rio. Cerca de mil pessoas participaram do ato. Desta vez, a defesa de uma intervenção militar foi mais intensa. Num determinado momento, chegou a haver um bate boca entre participantes. Um deles acusou outro de ser "um petista infiltrado". O acusado negou e disse que sua bandeira era "verde e amarela". Em Niterói, manifestantes também defendiam o impeachment e muitos apoiavam a intervenção militar.

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