Cunha: PMDB só vota orçamento com verba para deputados novos

O líder do PMDB e candidato a presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), disse nesta quinta-feira que seu partido apenas vai votar o Orçamento de 2015 se houver previsão de verba de emendas para deputados novos. O peemedebista disse ter ouvido relatos de que o governo fez promessas aos novatos em meio à articulação da candidatura de seu principal oponente, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

A partir de domingo, a Câmara contará com 224 deputados que não exerceram mandato no ano passado, sendo que 198 nunca atuaram na Casa. Esses parlamentares não indicaram emendas para o Orçamento deste ano, uma forma de os deputados encaminharem verbas federais para projetos em seus redutos eleitorais.

“Estou vendo muitos relatos de deputados, os novos, de que o governo está prometendo liberar emendas. Os novos não fizeram emendas no ano passado e eles estão prometendo liberar”, disse Eduardo Cunha. “Só acredita quem não conhece a Casa. Quem conhece, sabe que tem que passar pelo Orçamento”,

Segundo Cunha, a liberação de emendas para deputados novos é uma posição do PMDB. O relator do Orçamento, senador Romero Jucá (RR), já teria se comprometido a realocar recursos.

A liberação de emendas é uma forma de garantir o apoio do alto número de deputados novos. Para se eleger no primeiro turno, um candidato à presidência da Câmara precisa de pelo menos 257 votos.

Os peemedebistas tentam convencer os demais deputados que o petista Arlindo Chinaglia não teria o compromisso de colocar em votação o segundo turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento Impositivo, que obriga o governo a executar emendas de parlamentares, diante de um cenário de corte de gastos.

“Primeira coisa que vou fazer é colocar para votar imediatamente o segundo turno do Orçamento impositivo”, disse Cunha.

Para o peemedebista, as ameaças de retaliações do governo tendem a favorecer sua candidatura. “Não é com ameaças nem com retaliações que você vai manter uma base”, disse. “Quanto mais ameaçam, mais irritados ficam os deputados. Quanto mais dizem que vai retaliar, mais dá vontade de votar contra.”