Presidência da República tenta trazer menina sequestrada da Itália

A Defensoria da União e a Presidência da República entraram no caso da menina Ida Verônica, sequestrada há dois anos e encontrada pela Interpol na última segunda-feira na Itália, para tentar trazê-la de volta ao Brasil.

Ida foi sequestrada pelos próprios pais biológicos, que seriam traficantes de drogas. Eles perderam a guarda dela, porque a deixaram, ainda recém-nascida, sozinha em um quarto de hotel. A menina ficou sob custódia do Estado e disponibilizada à adoção. A lavadeira Tarcila Gonçalina de Siqueira adotou a criança quando ela tinha 3 meses. Tem a guarda provisória e assegura que só não conseguiu a definitiva porque o processo de adoção no Brasil é muito burocrático.

Em 2013, os pais da menina, então com 8 anos, após terminarem de cumprir pena de reclusão por tráfico de drogas em uma ação armada, sequestraram a menina de dentro da casa adotiva dela. Desde então, dona Tarcila não tinha nenhuma notícias sobre estado emocional e físico dela.

“Deve ter sofrido, como eu sofri. Tive depressão, fiquei muito doente. Meus planos eram montar uma lavanderia em casa para mim, mas hoje estou fazendo faxina na casa das pessoas, para a cabeça não pensar. Foi o médico que me mandou sair de casa, andar, fazer coisas”, comenta a mãe, que está conversando, todos os dias, com jornalistas do Brasil todo. “Estou dispostas a falar com todos eles”, avisa Tarcila, que, com isso, espera conquistar a opinião pública em favor da extradição da menina.

Nesta quarta-feira, a mãe adotiva e a Defensoria da União começam a elaborar uma estratégia jurídica para trazê-la de volta. A Presidência da República informou que vai entrar em contato com as autoridades italianas, uma vez que é a justiça de lá que vai decidir o destino da criança.

Ida tem nacionalidade italiana e dominicana. Brasileira, não. E isso é apenas um dos aspectos que já indicam a dificuldade em repatriá-la.

A Embaixada Italiana entrou em contato com a mãe adotiva, por telefone, e pediu a ela informações sobre o caso, para subsidiarem um relato a ser encaminhado também às autoridades italianas.

Após dois anos de buscas, a menina foi encontrada na cidade de Cassola, região Vicenza na Itália, com os pais biológicos.