Movimento Passe Livre marca novo protesto para sexta-feira em SP

Após o encerramento do “3º Grande Ato contra a Tarifa”, que percorreu ruas da zona leste de São Paulo na terça-feira, o Movimento Passe Livre (MPL) marcou um novo protesto para a próxima sexta. O ato terá início às 17h, em frente ao Theatro Municipal, no centro.

Ao contrário dos dois protestos anteriores, que foram marcados por atos de vandalismo, forte repressão policial e manifestantes feridos e detidos, o ato de ontem terminou de forma pacífica, o que foi motivo de comemoração para o MPL. “Conseguimos!”, gritavam integrantes do movimento após o encerramento do ato, por voltas das 22h, no Largo São José do Belém. O fato de o protesto ter tido “começo, meio e fim” foi interpretado como uma vitória.

A manifestação, a primeira realizada longe do centro, conseguiu reunir 5 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM), e 8 mil, segundo o MPL. O ato saiu da Praça Silvio Romero, no Tatuapé, e seguiu por ruas do bairro até a avenida Radial Leste, onde prosseguiu no sentido centro. No caminho, os manifestantes ouviram algumas críticas, mas a maioria dos condôminos dos edifícios de classe média alta parecia apoiar o movimento. Cartazes com a mensagem “aumento não” eram exibidos por trabalhadores do comércio da região e moradores.

Estratégia

Apesar da presença de black blocs, o grupo não cometeu atos de vandalismo até o encerramento do protesto no Largo São José do Belém. Integrantes do MPL costumam dizer que “não são donos da luta”, que os protestos são abertos a todos interessados e que eles não farão o papel de “criminalizar movimentos” ou táticas adotadas por terceiros – apesar disso, mantêm contato constante com os adeptos da tática black bloc a fim de apaziguar os ânimos e impedir que os protestos terminem em quebra-quebra.

Um estratégia que tem se mostrado acertada é a inclusão de todos os participantes do ato dentro de um mesmo espaço: com um cordão de isolamento formado pelos próprios manifestantes – que separa os profissionais da imprensa, que costumam ficar à frente do ato, dos manifestantes –, os organizadores do movimento conseguem ter mais controle sobre o protesto. Esse cordão é uma espécie de proteção para a faixa “Contra a Tarifa”, que toma a linha de frente da passeata e é símbolo do movimento. Atrás dela ficam todos os manifestantes juntos, inclusive os black blocs.

“O que a gente tenta fazer é conversar com todas as pessoas, mas a gente não tem como controlar o que as pessoas fazem nos atos”, diz Luize Tavares, 18 anos, do MPL. “Mas o cordão de isolamento da faixa está dando certo. Acho que as pessoas começam a entender o que é o MPL, um movimento contra a tarifa”, encerrou.

Confusão no metrô

Após a dispersão dos manifestantes, uma confusão foi registrada na estação Belém do metrô. Pessoas que tentaram pular a catraca em protesto contra o aumento da tarifa foram impedidas por policiais, que chegaram a bloquear as entradas da estação. Um grupo atacou o vidro da bilheteria, e a polícia respondeu com bombas de gás do lado de fora. Nove pessoas foram detidas.