Thomaz Bastos guardava anotações sobre seus dias no governo

A ideia do ex-ministro era divulgar o diário apenas depois sua morte, em 50 anos

O advogado Márcio Thomaz Bastos, morto nesta quinta-feira (20), mantinha guardadas anotações diárias da época em que foi Ministro da Justiça, entre 2003 e 2007, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia do ex-ministro era divulgar o diário apenas depois sua morte, em 50 anos. 

Os escritos sigilosos de Thomaz Bastos abrangem a época em que foi revelado o esquema do mensalão, em 2005. Foi antes de uma sessão do julgamento do escândalo de corrupção, em 2012, que o ex-ministro contou a jornalistas sobre seu hábito de escrever diariamente, mas disse que doaria os textos ao Arquivo Nacional, sob condição de serem abertos apenas em cinco décadas. O criminalista acreditava que algumas passagens poderiam desagradar pessoas conhecidas.  

Márcio Thomaz Bastos defendeu no processo do mensalão o ex-dirigente do Banco Rural José Roberto Salgado, condenado a mais de 14 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta. Em 2012, ele preparava uma autobiografia com detalhes sobre sua trajetória no ministério e na advocacia. O livro, no entanto, não incluiria seu diário secreto.  

Influente, Thomaz Bastos foi responsável por ajudar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a escolher ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF), entre os quais o relator do caso do mensalão, Joaquim Barbosa, que redigiu votos duros contra os réus no caso. Entre os advogados amigos que atuaram na ação penal, o criminalista era chamado de “God” (Deus, em inglês).