CPMI da Petrobras convoca Duque e aprova acareação entre Costa e Cerveró

Comissão também aprovou quebra de sigilo do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto

A CPI Mista da Petrobras aprovou nesta terça-feira (18) a realização de acareação entre os ex-diretores da estatal Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa. O autor do requerimento, deputado Enio Bacci (PDT-RS), argumentou que, em depoimento à Polícia Federal, Costa fez diversas acusações contra Cerveró. Ainda será definida data para a acareação.

Quando foi ouvido pela comissão, em setembro, Cerveró refutou qualquer envolvimento em casos de corrupção na Petrobras. Disse também desconhecer qualquer participação direta de Paulo Roberto Costa nos acertos empresariais para a compra da refinaria de Pasadena (EUA). Por isso, Bacci considera essencial colocar um diante do outro, numa tentativa de esclarecer as dúvidas sobre os fatos investigados.

"Por que não colocá-los frente a frente? Isso não é o momento de fazer economia. Não vem com discurso que trazer alguém aqui é gastar dinheiro público", argumentou o deputado.

O senador José Pimentel (PT-CE) lembrou que Paulo Roberto Costa já esteve no Congresso e evocou o direito de ficar calado. Avaliou, por isso, que a acareação não produzirá resultados.

"Para gerar matéria para imprensa não precisamos gastar dinheiro público para trazer gente presa e com delação premiada já firmada", afirmou Pimentel.

A CPMI da Petrobras também aprovou as convocações do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso na Operação Lava Jato na sexta-feira (14); e do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado.

“É imperativa a vinda do Sérgio Machado em virtude dos desmandos já analisados na Transpetro”, disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Para o deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), devem ser priorizadas as convocações de pessoas já presas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

O executivo da empresa Toyo Setal Augusto Mendonça Neto revelou em depoimento a procuradores da República que pagou cerca de R$ 60 milhões em propina a Duque.

Já Machado foi citado na Operação Lava-Jato por supostamente participar de irregularidades na compra de navios para a Transpetro. O ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa afirmou, em depoimento à Justiça Federal, que Machado teria pago a ele R$ 500 mil para direcionar uma licitação de navios.

A CPI aprovou ainda um requerimento de quebra de sigilo telefônico, bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele é suspeito de ser operador do partido em um esquema de corrupção dentro da Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Segundo afirmações do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que falou aos investigadores em troca de redução de pena, Vaccari seria intermediário do PT no esquema de pagamento de propinas.

De acordo com as investigações, as empreiteiras formavam um cartel e repassavam um percentual dos contratos superfaturados ao PT, PP e PMDB, que controlavam diferentes diretorias na estatal.

A quebra de sigilo foi aprovada em placar apertado na CPI, 12 votos a 11. Parlamentares da base aliada contestaram a decisão de não ampliar o requerimento para quebrar o sigilo de diferentes tesoureiros.

“Quero externar minha indignação da não extensão do requerimento aos tesoureiros de outros partidos que recebem recursos dessas empresas”, disse o deputado Sibá Machado (PT-AC), ao lembrar que as empreiteiras fizeram doações de campanha para diferentes legendas nas eleições.

Vital do Rêgo vai ouvir relator e líderes para decidir ordem de depoimentos 

O presidente da CPI Mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), pretende consultar líderes partidários e o relator da comissão, o deputado Marco Maia (PT-RS), antes de definir a ordem dos próximos depoimentos à comissão. Nesta-terça-feira (18), os parlamentares aprovaram as convocações do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado e dos ex-diretores da estatal Renato Duque e Ildo Sauer, além de uma acareação entre os também ex-diretores Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró.

Segundo Vital do Rêgo, há um cronograma de trabalho pronto, que será adaptado às novas convocações. Em sua opinião, devem ter preferência as pessoas presas pela Polícia Federal na sétima fase da Operação Lava Jato, na última sexta-feira (14), caso de Renato Duque.

"Há convocados na condição de indiciados e de testemunha. A CPI precisa inicialmente provocar a presença daqueles que estão presos. É a minha opinião, mas antes vou ouvir a relatoria e os líderes", afirmou.

A princípio, os depoimentos devem ser colhidos em reuniões de portas abertas, mas sessões secretas não foram descartadas pelo presidente:

"A reunião fechada é alternativa. Mas só deve acontecer se houver colaboração de quem vem depor", explicou.

Vital do Rêgo também informou que a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, também aprovada nesta terça, será feita imediatamente, "de forma regimental e como manda a lei".

O presidente negou que a comissão de inquérito tenha acelerado os trabalhos por conta da prisão de dezenas de empresários na semana passada. "A CPI tem histórico de alternância. Nós temos reuniões mais exitosas e outras menos", resumiu.