Morte no Ibirapuera: amigos dizem acreditar em homofobia 

Amigos do estudante Marcos Vinicius Macedo Souza, 19 anos, morto a facadas na madrugada do último domingo em frente ao Parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, dizem acreditar que o jovem foi vítima de um ataque motivado por homofobia.

O caso está sendo investigado no 36º DP (Distrito Policial), do Paraíso, e inicialmente nenhuma hipótese é descartada pela Polícia Civil.

“A gente tem certeza que foi homofobia, porque não foi assalto. Não levaram documento nenhum, não levaram dinheiro, não levaram celular”, disse após o enterro um dos rapazes que estavam com Marcos Vinicius na noite do crime, que não quis se identificar. O corpo do jovem foi enterrado na tarde desta segunda-feira no cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte.

O amigo contou que estava com a vítima e outros três amigos, todos assumidamente gays, no estacionamento em frente ao portão 3 do Ibirapuera, um ponto de encontro da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). Por volta das 4h, dois dos amigos saíram para comprar cigarro, enquanto Marcos Vinicius permaneceu com o grupo.

“Quando voltamos, disseram que o Vinicius tinha ido urinar. Pouco tempo depois começaram a gritar nossos nomes, que tinha acontecido alguma coisa com o Vinicius”, afirmou o amigo, contando que encontraram o jovem inconsciente e sangrando muito na avenida Pedro Álvares Cabral. Segundo ele, uma testemunha teria dito que viu dois rapazes em luta corporal no mato, sendo que um deles tinha uma faca.

“Como a gente ficou naquela coisa de socorrer o Vinicius, entramos na viatura e fomos para o hospital, não falamos mais com ele. É um cara que a gente conheceu ali, não sabemos quem é”, completou. "Que esse rapaz apareça e conte o que sabe", continuou outro amigo da vítima, Gabriel Souza, 17 anos.

Os amigos também dizem não acreditar que Marcos Vinicius tenha sido vítima de crime passional.

“O Vinicius era uma pessoa do bem, sempre muito educado com todos. Ele morava perto de casa, no Jabaquara, eu estava na casa dele todos os dias, tudo que acontecia na vida dele ele contava pra mim, da mesma forma como o que acontecia na minha vida eu contava para ele. Nós éramos amigos de escola, nos conhecemos na 6ª série”, afirmou outro rapaz que não quis se identificar e que também estava com a vítima na noite do crime.