Detentos são executados a tiros fora das celas em São Paulo

Dois detentos da Penitenciária Nestor Canoa, de Mirandópolis (SP), controlada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), foram executados e encontrados mortos, do lado de fora do presídio, no final da tarde desta quinta-feira. Ambos, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), faziam serviços externos quando foram assassinados.

Um deles é Vanderlei Lima de Oliveira, 47 anos, conhecido como Delei, que foi atingido por seis tiros no peito. O outro é Eduardo Francisco da Silva, de 27, chamado de Cowboy, que foi atingido por sete disparos também na região torácica. Os dois cumpriam pena no anexo de regime semiaberto do complexo penitenciário, que também possui duas unidades de segurança máxima.

De acordo com nota da SAP, “os agentes que faziam a escolta de presos em trabalho externo notaram a ausência de dois deles e, quando fizeram as buscas na área, localizaram em uma mata, nos fundos do presídio, os corpos dos dois estendidos no chão, com perfurações, aparentando terem sido atingidos por projeteis de arma de fogo”.

Segundo a Polícia Militar, próximo aos corpos foram encontradas cápsulas deflagradas de pistola calibre 380. A polícia suspeita que os assassinos tenham usado silenciadores, já que os agentes que faziam segurança afirmaram não ter ouvido barulho de disparos.

Um inquérito foi instaurado para apurar o crime. Segundo a SAP, a Corregedoria Administrativa do Sistema Penitenciária também abriu procedimento.

O delegado de Mirandópolis, Gener Vieira de Faria, explicou que o complexo fica na antiga área rural de 23 alqueires. “Os detentos do semiaberto saem para trabalhar, muitos trabalham na limpeza urbana, mas outros, assim como esses dois, trabalham na própria área do presídio que está instalado em um antigo sítio”, disse. Segundo ele, os dois presos cuidavam das criações de porcos e de bovinos e estavam distantes do anexo quando foram mortos.

Faria disse que “as diligências de campo estão sendo feitas para tentarmos localizar possíveis suspeitos”. Segundo ele, testemunhas serão ouvidas nos próximos dias, entre elas estão os agentes que faziam a escolta dos presos. O delegado disse que não poderia falar sobre pistas do crime para não atrapalhar as investigações.