SP: com crise de abastecimento, palácio e prefeitura passam a usar menos água

A crise de abastecimento de água que atinge a cidade de São Paulo em 2014 já repercute, há um bom tempo, dentro dos prédios onde o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin passam a maior parte do dia. Segundo dados do governo estadual, o Palácio dos Bandeirantes, residência oficial do governador, conseguiu o bônus oferecido pela Sabesp por reduzir o consumo de água pelo sétimo mês seguido.

É claro que existe um esforço redobrado do governo em dar o exemplo aos moradores da cidade, já que a economia de água é uma das armas para evitar o racionamento oficial, já que muitos moradores relatam falta de água constante em alguns bairros.

Segundo o governo, em outubro deste ano, o Palácio dos Bandeirantes registrou um consumo de 1.354m³, volume abaixo da meta estabelecida pela concessionária de 1.462m³. Segundo a assessoria de Alckmin, a principal medida de redução no consumo foi a implantação do programa de uso racional da água.

Na região central de São Paulo, no Edifício Matarazzo, sede da prefeitura, também há controle no uso da água pela equipe de Haddad. Segundo a administração municipal, o consumo médio mensal da prefeitura de janeiro a setembro foi de 803 metros cúbicos, o que representa redução de 4% com relação à média mensal de 2013, que foi de 833 metros cúbicos.

As medidas de economia ocorrem em meio à pior crise hídrica da história de São Paulo. Nesta quarta-feira, o Sistema Cantareira - que já contabiliza a utilização da segunda cota do volume morto – operava com apenas 11% de sua capacidade. A situação é ainda mais crítica no Sistema Alto Tietê, que opera com apenas 7,8% de sua capacidade.

PT e PSDB debatem crise 

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), apresentou na segunda-feira à presidente Dilma Rousseff (PT) um pacote de oito obras estruturantes, ao custo de R$ 3,5 bilhões, para o abastecimento de água no Estado, mas que não resolvem a crise atual. O pedido de ajuda de Alckmin não inclui obras emergenciais, pois ele garantiu que já estão em andamento. 

“Essas obras estão previstas no planejamento (do governo do Estado) e entrarão no médio prazo, ou seja, não dialogam com a crise atual. (…) O governador de São Paulo não pediu nada ao governo federal de obras emergenciais para essa crise nem para imediatamente, e nem para outras obras estruturantes para até 2035”, disse a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Alckmin foi ao Palácio do Planalto questionar sobre a possibilidade de o governo federal ajudar o Estado com recursos do Tesouro Nacional ou por meio de financiamento. Dilma, no entanto, pediu um detalhamento maior por parte do Estado sobre os projetos. Um grupo de trabalho entre ministros e secretários de Estado foi criado e vai se reunir na próxima segunda-feira para discutir o planejamento.

Entre 2013 e 2014, em um período historicamente chuvoso, São Paulo viveu uma estiagem atípica. A falta de chuvas comprometeu o nível do Sistema Cantareira, que abastece parte da capital e da Grande São Paulo. De acordo com o governador de São Paulo, a região enfrenta a maior seca dos últimos 84 anos, mas os cidadãos não correm o risco de ficar em água.

“Não há esse risco, nós já temos repetido desde o início do ano. Temos em São Paulo um sistema extremamente forte, nem entramos na segunda reserva técnica. Mas nem são obras para amanhã, as obras para amanha já estão sendo feitas”, disse o governador na ocasião.