Espanha é referência para o Brasil na gestão de aeroportos regionais

A Secretaria de Aviação Civil (SAC) realiza hoje (29) e amanhã (30) seminário para conhecer a experiência espanhola em gestão de aeroportos regionais e para antecipar desafios que o país enfrentará nessa área. Segundo o ministro da SAC, Moreira Franco, a Espanha tem grande experiência em aviação regional. “Eles conseguiram, por exemplo, montar uma estrutura que compatibiliza aeroportos de maior e menor rentabilidade e um esquema de subsídios permitindo que todos os espanhóis possam utilizar o modal”, disse.

O seminário “Gestão de Aeroportos Regionais: Experiência Aena” contará com apresentação de especialistas da entidade Aeropuertos Españoles y Navegación Aérea (Aena) e da empresa espanhola Ineco, que oferece serviços de infraestrutura de transportes em mais de 45 países.

Embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de La Cámara Hermoso disse que o país europeu enfrentou desafios semelhantes ao Brasil no desenvolvimento da infraestrutura. Hoje, temos a maior rede de rodovias duplicadas da Europa, a segunda maior rede de trem de alta velocidade do mundo e desenvolvemos projeto piloto de comercialização conjunta de trem e avião", ressaltou o embaixador.

Para Hermoso, a gestão aeroportuária é fundamental para um país continental como o Brasil, que precisa de um sistema eficiente. "Acreditamos na liderança que o Brasil tem na área. Por isso, estamos aqui para mostrar nossa experiência e colaborar com a formação das pessoas. Acreditamos no desenvolvimento dessa política, que é necessária para o país”, salientou.

Conforme o embaixador, 65% dos voos comerciais no mundo utilizam sistema de controle espanhol. Observou que a Aena é a maior operadora aeroportuária do mundo, gerenciando 46 aeroportos e dois heliportos na Espanha. Também participa, direta e indiretamente, da gerência de outros 15 aeroportos no mundo. O mais importante é o Aeroporto de Luton, em Londres. Acrescentou que outras gerenciadoras espanholas operam grandes aeroportos em todo mundo, destacando os de Heathrow, de Glasgow e de Aberdeen, no Reino Unido.

Para Moreira Franco, a política de fortalecimento dos terminais regionais é consequência natural das concessões feitas em grandes aeroportos. “O objetivo é permitir que 96% dos brasileiros tenham um aeroporto  a menos de 100 quilômetros de onde esteja. É claro que alguns são mais estratégicos que outros, como os localizados na Amazônia, onde, pela configuração da região, jamais teremos rodovias e ferrovias”, finalizou.