Mulher agredida com cotovelada em SP perdoaria agressor

A auxiliar de produção Fernanda Regina Cezar, 30 anos, agredida com uma cotovelada por Anderson Lucio de Oliveira, 35 anos, em 16 de agosto em frente a uma casa noturna de São Roque, interior de São Paulo, afirmou que espera que o agressor peça desculpas. Fernanda, que ficou internada por cerca de 15 dias e recebeu alta na última segunda-feira, disse não se lembrar exatamente do que falava para o homem, mas que desconfia que o assunto tenha sido um desentendimento com uma vizinha.

“Se ele vier conversar comigo, explicar o motivo de ter feito aquilo e pedir desculpas eu perdoo. Posso até desculpá-lo, mas quero saber o porquê. Não penso em vingança, mas o que é certo é certo. Tenho que correr atrás dos nossos direitos. Meu desejo é ficar em paz. Poder abrir o portão de casa sem confusão com ninguém. Não quero me vingar. Só quero paz e não quero confusão, viver minha vida tranquilamente. De problema todo mundo está cheio”, disse Fernanda em entrevista ao lado de seu advogado Ademar Gomes.

De maneira confusa, a auxiliar tentou explicar o possível motivo da discussão com “Tingo”, apelido de Anderson, e voltou a afirmar que não se lembra ao certo o motivo da conversa.

“Ele é parente de uma vizinha minha, acho que é irmão ou primo. Essa minha vizinha é cismada comigo porque ela tem ciúme do marido dela. O marido vive pedindo meu número de telefone. Desde então ela fala de mim pra ele. A gente era amigo e nunca houve confusão. Ela não pode me ver no portão de casa que dá risada da minha cara, joga pedra no meu telhado. Há um tempo atrás eu o chamei e disse: ‘Tingo, sua irmã está querendo arrumar confusão comigo’”, disse. “Devo ter falado pra ele conversar com a irmã porque eu não queria confusão”.

Fernanda afirmou que ainda está sob cuidados de saúde e que os médicos estão acompanhando seu caso, já que bateu forte com a cabeça ao cair no chão após a cotovelada. Ela conta que só se lembra de sair de casa e estar na frente da casa noturna com os amigos.

“Nunca tive nenhum problema com ele. Gostava dele como pessoa e nunca esperava que ele fizesse isso comigo. Estou muito triste até agora, mas ele estava na intenção de me agredir. Essa pessoa já estava cismada comigo. Não me recordo o que comentei com ele, mas não foi na intenção de brigar, mas sim de evitar a briga. Não esperava tomar a cotovelada. No hospital eu nem me lembrava. Não sou de arrumar confusão e agredir ninguém”, explicou.

Ademar Gomes, advogado da vítima, está acompanhando o caso e disse que o inquérito deve ser concluído em poucos dias. Anderson está cumprindo prisão provisória, mas Ademar acredita que Tingo é perigoso e já foi acusado de homicídio, sendo considerado inocente.

“O objetivo é relatar o que aconteceu e tentar pedir prisão preventiva do acusado, que demonstrou ser uma pessoa perigosa e que teve a intenção de matá-la. Além disso, as testemunhas tinham obrigação de socorrê-la. Elas deverão ser indiciadas por omissão e socorro. Graças a deus não foi a óbito, mas ficou internada por muitos dias”, explicou Ademar.

O irmão da vítima, Eduardo Cezar, 34 anos e estudante de direito, também participou da entrevista e contou qual foi a reação de Fernanda ao assistir ao vídeo da agressão.

“No momento estamos preocupados em mantê-la bem e confortável, mas a família está bastante abalada. Os médicos pediram acompanhamento de ate seis meses pra saber se ficará com alguma sequela. Quando ela assistiu, ficou pasma, chocada, travada em frente a tela. Ela não se recordou de nada. Ficou sem reação nenhuma olhando pra tela até o fim do vídeo”, disse.

Eduardo contou que conhece Tingo e as pessoas que estavam com ele, mas que não tem amizade com nenhum. “Os outros que estavam no local eu não tenho conhecimento de agressividade, mas ele sempre sai para alguma briga. Nos bailes de aniversário da cidade ele sempre briga”, contou.