Depoimentos sobre acidente na Arena Corinthians ficam para próxima semana

O delegado Luiz Antonio da Cruz, titular do 65º Distrito Policial (Artur Alvim), na zona leste da capital paulista, afirmou nesta sexta-feira, que as testemunhas que presenciaram o acidente no futuro estádio do Corinthians deverão começar a ser ouvidas apenas na próxima semana. De acordo com ele, o operador do guindaste que despencou sobre a obra ainda se recupera psicologicamente do acidente.

"Fiz um ofício para que as empresas apresentem a documentação. Documentação a respeito da obra. A relação dos funcionários que estavam próximos ao local do acidente e pedi a apresentação do maquinista", disse ele.

De acordo com o delegado, a estratégia é oficiar as empresas para que elas apontem os funcionários que deverão ser ouvidos. "Oficiei também para ouvir outras testemunhas, inclusive os bombeiros que participaram do resgate e os membros da Defesa Civil que estiveram no local".

Segundo o delegado, ainda que informalmente, ele ainda não conversou com o operador do guindaste. "Conversei com o advogado. Veio aqui o engenheiro civil responsável pela colocação da peça. Veio o técnico de segurança e uma funcionária que me deu os dados dos falecidos", disse.

O delegado lembra que, na data do acidente, o operador da máquina, muito abalado, foi retirado rapidamente do local. Cruz afirma que por enquanto tem apenas o caminho que será trilhado na investigação.

"Eu não tenho (qualquer) conclusão do acidente. O caminho é o que está no código do processo penal. Tem de ver se é acidente ou infração penal. Com testemunhos e provas técnicas. Estou norteando com oitivas, ainda sem os laudos em mãos", disse.

O delegado convidou ainda o deputado estadual e Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Cintracon) Antônio de Sousa Ramalho que levantou a hipótese de que há relatos de problemas na grua do guindaste que caiu na Arena Corinthians anteriores ao acidente.

Cruz descartou que esteja sofrendo qualquer tipo de pressão por conta da investigação. "Se estivesse sofrendo pressão, não presidiria o inquérito. Todos querem que isso seja esclarecido. Não tem empresa, não tem governo. Quem está tocando o inquérito é Luiz Antonio da Cruz", afirmou.

O advogado da Odebrecht, David Rechulsky, esteve na delegacia, nesta tarde, para colocar a empresa à disposição para as investigações. "Qualquer coisa que se diga neste momento é extremamente perigoso e leviano", disse ele.