AM: mulher que cortou barriga de grávida para roubar bebê é condenada

A Justiça condenou, nesta quarta, a doméstica Daiana Pires dos Santos, 22 anos, a 13 anos e quatro meses de prisão pela tentativa de homicídio contra a dona de casa Odete Pego Ferreira, 23 anos, e pela subtração da filha da vítima, uma recém-nascida retirada à força do ventre da mãe pela acusada. 

O julgamento durou cinco horas e 40 minutos. Sem a presença de Odete, Daiana defendeu a versão de ter cometido o crime sob a possessão de espíritos malignos. "Eu ouvia uma voz que dizia pra eu fazer aquilo que ia dar certo. Aí minha vista ficou escura e eu só me lembro de estar presa na delegacia. Eu estava fora de mim. Foi o demônio.  Eu estou arrependida do que fiz", disse a ré durante seu depoimento.

O crime aconteceu no dia 25 de setembro de 2012, no bairro Parque Mauá, zona leste de Manaus. Segundo a denúncia do Ministério Público, a acusada atraiu a vítima para sua casa alegando que iria doar um enxoval do filho que havia abortado. 

Em sua casa, Daiana teria atingido Odete com uma tábua de cortar carne. Após a dona de casa cair atordoada no chão, a acusada abriu sua barriga com um lâmina de barbear e retirou a filha da vítima.

"Depois disso, de maneira dissimulada, a acusada fingiu para os vizinhos ter dado à luz a criança, enquanto a verdadeira mãe agonizava com as vísceras expostas dentro da casa da acusada", defendeu o promotor  Rogério Marques, que pediu ao júri pena máxima pela tentativa de homicídio com dissimulação e pela subtração da criança.

Com um júri formado por cinco mulheres de meia idade e por dois homens, a defesa tentou convencer os jurados a mudar a tipificação do crime de tentativa de homicídio para lesão corporal grave. "Não vou dizer que foi o capeta que cometeu o crime, mas que o mal existe, isso existe! Por favor, essa mulher precisa de ajuda e não de cadeia", pediu o advogado Mouzart Bessa, defensor de Daiana.

Sem a presença da vítima, o conselho de sentença entendeu que a acusada precisava cumprir 11 anos e oito meses, em regime fechado, pelo crime de tentativa de homicídio, e um ano e oito meses pela subtração da recém-nascida.

"Foi uma pena justa. E pelo tempo que minha cliente já está presa, no máximo em oito meses ela deve progredir para o regime semiaberto", disse Bessa.