Pizzolato: PF nega pedido por quebra de sigilo e mantém buscas no Brasil

A Polícia Federal deve divulgar nota oficial nesta terça-feira negando que tenha solicitado a quebra do sigilo telefônico do ex-diretor de marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão e considerado foragido da Justiça desde o último dia 15. Um policial que atua na linha de frente de operações para captura de Pizzolato disse ao Terra que a informação, divulgada mais cedo por um jornal do Rio de Janeiro, não tem sustentação jurídica.

"O pedido de interceptação telefônica, sempre apresentado como exceção, tem apenas o objetivo de produção de provas em investigação criminal e instrução processual. A regra é a inviolabilidade da comunicação. Neste caso, o foragido já é réu condenado e não se aplica a quebra de sigilo telefônico para sua localização", disse o policial.

De acordo com o agente, a PF continua desenvolvendo operações para localização de Pizzolato em território nacional. "Não podemos descartar essa possibilidade, e existe, sim, um trabalho de inteligência neste sentido. Até o momento, não há confirmação oficial da saída do foragido do Brasil, e as versões apresentadas são inconsistentes. Ninguém atravessa fronteiras, como nas especulações levantadas, sem deixar rastros", afirmou o policial federal.

Na semana passada, outra fonte da PF disse ao Terra que as versões de fuga através das fronteiras do Paraguai e Argentina podem fazer parte de uma estratégia de um grupo de pessoas ligadas a Pizzolato com o objetivo de confundir o trabalho da polícia.

Com larga experiência na Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), o policial acredita que somente com o uso de documentos falsos Pizzolato poderia ter deixado o País. "Com o nome dele constando agora no Difusão Vermelha (sistema de comunicação da Interpol), é muito difícil ele estar em outro país agora. A suposta passagem pela Espanha seria impensável. A polícia espanhola pode deter uma pessoa por dois dias consecutivos sem muita burocracia, até dirimir todas as suspeitas. Na Europa, os espanhóis atuam em constante comunicação com o Brasil, em casos onde envolvam assuntos de interesse dos dois países", afirmou a fonte.

A possibilidade de Pizzolato ter passado pela Espanha foi divulgada pela deputada ítalo-brasileira Renato Bueno, integrante do Parlamento italiano e filha do deputado Rubens Bueno (PPS/PR), líder do partido na Câmara Federal. Renata disse ter recebido informações extraoficiais de que o ex-diretor do BB teria comunicado o governo italiano sobre uma suposta transferência de endereço do Rio de Janeiro para Madri. A deputada disse ainda que Pizzolato teria retirado uma segunda via do passaporte europeu no consulado da Itália na capital espanhola, em 2010.

Em Roma, onde participava de uma sessão do Parlamento italiano no início da tarde desta terça-feira, Renata disse ao Terra que as informações que divulgou foram recebidas extraoficialmente, e que algumas situações relatadas por ela - como a hipótese "de apoio de um grupo muito forte" - são apenas convicções pessoais. A deputada afirmou que aguarda para as próximas horas uma resposta a um requerimento encaminhado oficialmente por ela ao governo italiano, pedindo informações sobre a entrada do foragido na Itália. "O Ministero dell'Interno (Ministério do Interior) já me comunicou que está providenciando a resposta oficial", disse Renata.