Piloto preso com drogas foi indicado por deputado para ocupar cargo na AL-MG

O piloto do helicóptero preso no último sábado, suspeito de conduzir uma aeronave com 455 quilos de cocaína na região serrana do Espírito Santo, trabalha na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (AL-MG). De acordo com a assessoria de imprensa da AL-MG, Rogério Almeida Antunes ocupa um cargo de confiança a pedido do deputado Gustavo Perrella (PDT-MG), um dos sócios da empresa proprietária do helicóptero. Ele foi exonerado nesta terça-feira, e a decisão será publicada na edição de amanhã do Diário Oficial.

Perrella é filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro. De acordo com a AL-MG, o piloto estava lotado, a pedido de Perrella, no gabinete da 3ª Secretaria da Assembleia, ocupando o cargo de "agente de serviços de gabinete I". Por quatro horas diárias de trabalho, Antunes recebia remuneração de R$ 829,67, mais R$ 600 em vale-alimentação.

Segundo informações da polícia, no momento do flagrante, quatro pessoas estavam no helicóptero. Os 455 quilos da droga foram apreendidos quando os entorpecentes estavam prontos para seguir viagem - o destino final da cocaína, segundo as investigações, seria a Europa. Junto com os suspeitos, a polícia encontrou cerca de R$ 16 mil. O piloto da aeronave foi preso e demitido pelo deputado mineiro.

Em entrevista coletiva, Gustavo Perrella afirmou na segunda-feira que está tão estarrecido e chocado quanto a população com a notícia da apreensão de drogas no helicóptero da família. "O piloto não tinha autorização de voo da minha parte ou de qualquer membro da minha família, tratamos o assunto como roubo da aeronave por parte dele", afirmou o deputado.

"Ele disse que o helicóptero precisava de manutenção, confiei na palavra dele e simplesmente autorizei a revisão. O piloto foi indicado à família por um amigo, o contratamos pela experiência e horas de voo e já estava conosco há um ano. O helicóptero faz parte da empresa. É claro que o piloto vai responder pelos atos. As investigações vão dizer se ele foi coagido ou não a fazê-lo, mas o que a gente tinha que fazer já foi feito", disse, referindo-se à demissão da empresa.