Mercadante: "topo" das escolas públicas é melhor que particulares

A partir de um panorama geral do desempenho das escolas na edição de 2013 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação realizou um recorte dos concluintes da rede pública equivalente ao total dos alunos da rede privada (215 mil). Segundo o ministro Aloizio Mercadante, é uma maneira de se precaver para a discussão sobre cotas para estudantes provenientes da rede pública nas universidades federais.

Em três das cinco áreas analisadas pelo exame (Linguagens e Códigos, Ciências da Natureza e Redação), o desempenho dos chamados 215 mil melhores é superior aos dos alunos da rede privada. A média é puxada para cima especialmente pelas escolas federais, que representam apenas 1,22% da rede pública (que conta ainda com instituições estaduais e municipais). 

“O topo da escola pública é, em média, superior ao da escola privada. E o melhor padrão é o federal”, disse Mercadante. “Por que fazemos esse recorte? Por causa da discussão de cotas que virá”, acrescentou o ministro.

Em 2014, as 59 universidades federais e os 38 institutos federais de educação deverão reservar no mínimo 25% das vagas para alunos da rede pública com recorte racial segundo dados estaduais de proporção de negros apontada pelo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Até 2016, metade das vagas nessas instituições será voltada a candidatos que estudaram em escolas públicas.

Nesta terça-feira o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) vai divulgar os dados nacionais com o desempenho por escola na última edição do Enem. Só entram no sistema, escolas nas quais mais de 50% dos concluintes fizeram o exame.

O Enem é a única maneira das escolas medirem o desempenho de seus estudantes uma vez que a avaliação aplicada pelo Inep anualmente para medir a qualidade do ensino médio é feita por amostragem. Boa parte dos alunos concluintes do ensino médio participam do Enem por ser peça chave no ingresso ao ensino superior.