Governo quer escutas de investigação sobre PCC para punir policiais em SP

Para combater os policiais corruptos, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo quer ter acesso aos dados e áudios recolhidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) durante a investigação sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC). As interceptações telefônicas mostram extorsões feitas por policiais civis e militares contra bandidos importantes da facção, que são sequestrados e mantidos em cárcere em delegacias. Até mesmo parte do material apreendido na investigação do MPE era colocada à venda aos criminosos. 

"Temos inúmeras investigações em andamento. Aguardamos que o Ministério Público compartilhe conosco as provas para que possamos tomar providências", afirmou o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo. 

Ao todo, 175 integrantes do PCC foram denunciados. Em um dos grampos mais graves, agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) são flagrados oferecendo arquivos de computadores e pen drives apreendidos na operação que terminou com a morte de Ilson Rodrigues de Oliveira, o Teia, em 2011.

Na chácara em que ele estava, policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) mataram três acusados e prenderam outros cinco. Computadores com documentos da facção, uma metralhadora, um fuzil e duas pistolas foram levados para a sede do Deic. 

Em outro caso, policiais pedem R$ 300 mil para soltar um dos integrantes da facção conhecido como Jogador, mas aceitaram libertá-lo por R$ 130 mil pagos em duas parcelas - à vista e após 30 dias. Para evitar uma nova onda de ataques, o governo espera que os chefes do bando sejam enviados por um ano para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). 

Além disso, recorrerá a bloqueio dos sinais de celulares nos principais presídios dominados pelos bandidos, um investimento de R$ 30 milhões em 23 penitenciárias.