Com medo de violência, ônibus param de circular novamente em São Luís

O Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários confirmou que os ônibus vão parar de circular em São Luís, na noite de hoje (11), e só devem voltar a circular na manhã de amanhã (12). A medida também foi adotada ontem (10), após uma onda de boatos que uma possível disputa entre facções criminosas poderia ganhar as ruas da capital maranhense. De acordo com o sindicato, enquanto não forem oferecidas condições de trabalho com mais segurança aos motoristas e cobradores, a categoria irá trabalhar somente no período diurno.

Uma rebelião no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, resultou em nove mortes e deixou 20 feridos. O conflito coincidiu com atos de vandalismo. Sete ônibus foram incendiados por grupos criminosos. Foram incendiados ônibus nos bairros Vila Kiola, Tibiri, Jardim São Cristovão, Maracanã, Janaína, Cohab Anil e Monte Castelo.  

De acordo com a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), a rebelião teria sido causada pela guerra de facções no presídio e o desmonte do bando conhecido como Bonde dos 40, um dos maiores do estado, com a prisão de 16 integrantes nesta semana, em ação da polícia em São Luís.

Após a rebelião, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, decretou estado de emergência no sistema prisional estadual pelo período de 180 dias. Assinado no final da tarde de ontem (10), o documento visa a agilizar a construção de dez unidades prisionais, segundo a assessoria do governo.

O governo também solicitou ao Ministério da Justiça o envio de homens da Força Nacional de Segurança para atuarem nas unidades prisionais de São Luís por tempo indeterminado.

Ontem, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Maranhão, Márcio Macieira, disse que a crise na segurança pública é fruto da "desestruturação progressiva do sistema de segurança pública do Maranhão", e que os motins carcerários e organizações como "Bonde dos 40" e "Primeiro Comando do Maranhão" (PCM) são frutos desta crise. Macieira disse que a OAB vai ingressar com pedidos na Defensoria Pública e no Ministério Público contra a crise no sistema de segurança e para cobrar do governo local medidas de combate e controle de facções criminosas.

Segundo o Ministério da Justiça, no Maranhão, a média é o registro de 58,4 homicídios por mil habitantes. De acordo com o ministério, existe um policial militar para cada grupo de 876 pessoas. Na Polícia Civil, o índice é 18 agentes para 3.117 indivíduos. Além disto, somente 4,7% dos boletins de ocorrência se transformam em inquéritos policiais. “Se considerarmos a média nacional, que é de 11,5%, o território maranhense está muito abaixo da dita normalidade”, ponderou Márcio Macieira.