Promotoria quer que ex-mulher de diretor da Friboi deixe Fórum presa

O promotor José Carlos Cosenzo, que faz a acusação dos réus Giselma Campos Magalhães e Kairon Vaufer Alves, afirmou na manhã desta sexta-feira, no plenário do júri, que vai solicitar que, em caso de condenação, vai pedir à juíza Eliana Cassales Tosi de Mello que a ré deixe o Fórum presa, para cumprir a pena inicialmente em regime fechado, apesar de Giselma possuir uma liminar do Supremo Tribunal Federal que garante a ela aguardar o recurso em liberdade.

De acordo com ele, pesam contra a vítima o fato de ela não possui residência fixa em São Paulo, ter ameaçado testemunhas durante o processo e poder fugir em caso de condenação. O júri termina nesta sexta-feira, quando será anunciada a sentença de ambos. Giselma e Kairon são acusados de arquitetar a morte do diretor executivo da Friboi, Humberto Campos Magalhães, em dezembro de 2008. Giselma chegou a ficar presa por um ano e cinco meses pelo crime, até ser liberada pela liminar. Kairon está detido no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, em São Paulo, há cerca de cinco anos.

Cozenso defendeu a tese de que o crime foi motivado por ciúmes e que a mandante tinha interesses financeiros que motivaram a ação. Kairon, que havia deixado a prisão cerca de 6 meses antes do crime, foi convidado por Giselma, segundo a tese da defesa, também a troco de vantagem financeira.

O promotor, no fim de sua fala, apelou para o emocional. "Giselma matou o marido, seus dois filhos, toda a família dele e por fim se matou", disse ele. A promotoria teve duas horas e meia para a sua explanação, mesmo tempo que será dedicado à defesa dos réus. Depois disso, o conselho de sentença se reúne para decidir a votação dos quesitos que determinará a condenação ou absolvição dos réus.

Como foi o assassinato

Na noite do crime, Magalhães havia saído com seu Mercedes-Benz até a rua Alfenas, próximo à sua casa, após receber um telefonema - do telefone celular de seu filho - dizendo que ele teria passado mal e estaria ali. Um morador do local, em depoimento à polícia, disse que o executivo tocou a campainha de sua casa várias vezes. Quando atendeu, Magalhães contou a ele que tinha recebido uma ligação dizendo que seu filho estaria ali e havia uma criança chorando naquela casa - o que, segundo a polícia, seria uma espécie de senha combinada previamente com alguém.

O morador, que nada tinha a ver com o combinado, disse que não havia nenhuma criança chorando no local. Depois, observou o executivo caminhar até o carro, onde um motoqueiro o esperava. Após uma breve conversa com Magalhães, o motoqueiro atirou nele e fugiu. Na época, a polícia disse que a senha poderia ter sido uma armadilha dos bandidos para checar se a vítima estava com proteção policial.

O 5º Tribunal do Júri de São Paulo condenou Paulo dos Santos e Osmar Gonzaga Lima à pena de 20 anos de prisão em regime fechado.