Irmão vai acusar ex-mulher de diretor da Friboi como mandante do assassinato

Apesar de sempre negar em juízo que a morte do ex-diretor da Friboi, Humberto de Campos Magalhães, 43 anos, foi encomendada, Giselma Campos Magalhães, ex-mulher do executivo, o irmão dela, Kairon Vaufer Alves, acusado de participação no homicídio, irá acusar a irmã como a mandante do crime. A informação foi dada pelo advogado de Giselma, Ademar Gomes.

Quando foi preso, no fim de 2008, Humberto já havia dado essa versão à polícia. Na manhã desta quinta-feira, um vídeo com 3 horas de duração, foi apresentado pela promotoria, mostrando essa confissão, que incluiu a incriminação de Giselma.

Posteriormente, à Justiça, ele alegou que foi coagido durante o interrogatório na polícia e que ele teria matado Humberto, pois acreditava que poderia se beneficiar de sua herança.

De acordo com Ademar Gomes, com essa mudança, a defesa de Giselma ficará mais difícil. "A defesa fica de mãos atadas com isso. Para mim, ela sempre negou ser a mandante do crime e sempre acreditei nela. Mas é difícil remar contra a maré", afirmou ele.

Kairon está preso desde a época do crime, enquanto Giselma ficou detida por cerca de um ano e meio, mas conseguiu um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal e aguarda o julgamento em liberdade. Mesmo condenada em primeira instância, ela tem boas chances de deixar o fórum da Barra Funda pela porta da frente, até o julgamento de seu recurso.

Como foi o assassinato

Na noite do crime, em 4 de dezembro de 2008, Magalhães havia saído com seu Mercedes-Benz até a rua Alfenas, próximo à sua casa, após receber um telefonema - do telefone celular de seu filho - dizendo que ele teria passado mal e estaria ali. Um morador do local, em depoimento à polícia, disse que o executivo tocou a campainha de sua casa várias vezes. Quando atendeu, Magalhães contou a ele que tinha recebido uma ligação dizendo que seu filho estaria ali e havia uma criança chorando naquela casa - o que, segundo a polícia, seria uma espécie de senha combinada previamente com alguém.

O morador, que nada tinha a ver com o combinado, disse que não havia nenhuma criança chorando no local. Depois, observou o executivo caminhar até o carro, onde um motoqueiro o esperava. Após uma breve conversa com Magalhães, o motoqueiro atirou nele e fugiu. Na época, a polícia disse que a senha poderia ter sido uma armadilha dos bandidos para checar se a vítima estava com proteção policial.

O 5º Tribunal do Júri de São Paulo condenou Paulo dos Santos e Osmar Gonzaga Lima à pena de 20 anos de prisão em regime fechado.