Jovem forja próprio sequestro para forçar irmão a voltar com a ex

Um sequestro sem pedido de resgate e com exigência inusitada em Tanhaçu (BA), a 500 quilômetros de Salvador, terminou com a suposta vítima confessando que havia forjado o crime. Aurenísia Chagas, 19 anos, disse que mentiu para forçar o irmão a reatar o namoro com a ex-namorada dele, que também estava envolvida na farsa.

A história teve início na última quarta-feira, quando o pedreiro Anésio Chagas, pai de Aurenísia, recebeu mensagens de texto em seu celular de um aparelho não identificado informando que a filha havia sido sequestrada. Segundo os torpedos, a jovem só seria libertada quando o outro filho de Anésio, Anderson Chagas, 23 anos, terminasse o relacionamento com a atual namorada, Allídiny Santos Ramos, 19 anos, e reatasse o romance com Aparecida de Jesus Araújo, 36 anos.

O delegado Fábio Lago, titular da Delegacia de Tanhaçu, afirmou que, entre quarta e quinta-feira, várias mensagens de texto foram enviadas ao celular de Anésio "com aparência de que quem estava enviando era uma mulher".

"A história estava muito estranha, meio sem pé nem cabeça. Mas como a moça não apareceu, tivemos de levar o caso a sério e mobilizar as polícias Civil e Militar da cidade, cerca de 10 homens no total. Tivemos de deixar outros casos sérios para resolver e dar prioridade a esse caso, afinal, se tratava de uma vida que estava em perigo", disse o delegado.

As primeiras providências foram ouvir Anésio, Anderson, Allídiny e Aparecida. "Todos disseram que não sabiam de nada, que não tinha nada a ver e desejavam rever Isa (como é conhecida Aurenísia). Confiscamos os celulares de todos eles para monitorar as mensagens e ligações. Ficamos muito preocupados", afirmou o delegado.

?Enquanto isso, Aurenísia descansava em uma pousada em Vitória da Conquista (BA), a 120 quilômetros de Tanhaçu, e mantinha contato com Aparecida, com quem obtinha informações sobre o desenrolar da trama. O assunto do sequestro praticamente dominou as conversas em Tanhaçu, de cerca de 20 mil moradores.

O caso começou a ser esclarecido na sexta-feira, quando, segundo o delegado, Aparecida afirmou a Aurenísia que "o cerco tá fechando". Então, a suposta vítima do crime foi ao posto da Polícia Rodoviária Estadual de Brumado (BA), a 72 quilômetros de Tanhaçu, e revelou a mentira.

"Nos dirigimos para lá, gastamos gasolina, dedicamos tempo, para, no final, descobrir que tudo não passava de uma farsa", disse o delegado. "Mandamos os celulares para a perícia, para saber de qual aparelho estavam sendo enviadas as mensagens. Após o relatório da perícia, concluirei o caso", afirmou.

De acordo com o delegado Lago, Aurenísia será indiciada pelo crime de falsa comunicação a polícia (com pena de um a seis meses de prisão) e pode responder a processo para ser obrigada a pagar os custos que o Estado teve durante a mobilização. A polícia investiga se a mentora da trama era Aparecida, que também pode responder pelo crime e ser processada junto com Aurenísia.