Manifestantes deixam Câmara Municipal de Belo Horizonte

A Câmara Municipal de Belo Horizonte foi desocupada na manhã desta quinta-feira, após oito dias de protestos. Cerca de 40 pessoas continuavam na Casa, segundo a assessoria do legislativo. As sessões voltam ao normal ainda hoje.

O fim do protesto ocorre após a decisão do juiz da 3ª Vara da Fazenda Municipal de Belo Horizonte, Wauner Batista Ferreira Machado, que concedeu, na tarde de ontem, uma liminar que obrigava da desocupação da Câmara. O magistrado definiu, então, ue as manifestações devem se restringir apenas aos locais destinadas ao público, no horário de expediente.

?Os manifestantes acamparam na Câmara Municipal de Belo Horizonte no dia 1º de agosto. Para ocupar o prédio o grupo se espalhou em barracas. Pelo local espalharam cartazes com protestos e fizeram até uma cozinha improvisada na entrada principal da Câmara. Os utensílios foram doados por familiares e outras pessoas que apoiam o protesto dos jovens.

“Recebemos mantimentos de outras pessoas que doam. Dormimos em barracas montadas lá fora e no plenário. Temos acesso livre para os sanitários, mas não temos chuveiro, tem algumas casas cedidas para tomarmos banho”, explicou Alexandre Mazus, integrante da Assembleia Popular Horizontal.

“Estamos tranquilos, nossos limites estão se fortalecendo e vamos ficar até que a situação seja resolvida”, reforçou o estudante Willian Matheus.

Na tarde desta quarta-feira, enquanto muitos tomavam banho de mangueira na entrada principal, lideranças discutiam e trabalhavam na pauta do movimento que possui cinco reivindicações: prestação de contas do exercício do mandato anterior do prefeito Márcio Lacerda (PSB); apresentação do Plano de Metas para o segundo mandato; adesão dos políticos do legislativo à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos transportes; revogação do aumento de 34,15% no salário dos vereadores - aprovado em dezembro do ano passado; encaminhamento de ofício à BHTrans para divulgação de dados atualizados sobre os custos do transporte público.

Segundo Alexandre Mazus, até agora o que foi conquistado é a realização de uma audiência pública, no dia 28 deste mês, para discutir os dois primeiros temas reivindicados. Já sobre a abertura de CPI sobre o transporte público há a necessidade de 14 assinaturas de vereadores para realização do processo, mas apenas sete foram conquistadas até ontem.

No último sábado, o prefeito Marcio Lacerda chegou a declarar que os custos já estavam divulgados na internet, e que os manifestantes tinham “preguiça” de procurar pelos dados na rede. No entanto, esse argumento foi rebatido por Mazus. “Ele tenta confundir a população. Essas planilhas que estão disponibilizadas no site são de 2007, elas não estão atualizadas, e isso não é o que a gente quer. Essa formula de cálculo é obscura, ela precisa ser apresentada de forma clara, principalmente o índice de reajuste anual”.

Com a ocupação, a sessão prevista para ser realizada ontem à tarde não ocorreu devido à falta de quórum no plenário. Apenas 11 vereadores assinaram presença, sendo necessário, por regimento interno, a participação de pelo menos 21 dos 41 parlamentares presentes.

A situação tranquila do último dia de ocupação contrastou com a confusão que houve na tarde de segunda-feira, quando manifestantes entraram em confronto com seguranças da Câmara durante em uma coletiva de imprensa do presidente da Casa, o vereador Léo Burguês (PSDB).

O tumulto começou quando alguns manifestantes entraram no plenário com uma bandeja de coxinhas. A intenção do grupo era ironizar Burguês, que é acusado pelo Ministério Público de utilizar verbas da Câmara na compra de salgados na mercearia da madrasta do vereador. Houve empurra-empurra e manifestantes acusaram seguranças de agressão. A sessão foi interrompida em seguida.