Gurgel diz-se frustrado por não participar da conclusão do mensalão

Brasília - Às vésperas do fim do seu segundo mandato (no próximo dia 15), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel,  admitiu sua “frustração” por não poder participar efetivamente da fase conclusiva do julgamento da ação penal do mensalão – o julgamento dos derradeiros recursos (embargos) dos 25 condenados.

“Eu participo, pelo menos, da primeira sessão relacionada ao julgamento dos recursos. Frustração existe sim. Eu preferiria deixar o cargo com a decisão condenatória já sendo cumprida efetivamente. Ou seja, com a perda de mandatos parlamentares e com a expedição dos mandados de prisão em relação àqueles réus condenados a penas privativas de liberdade”.

Impessoabilidade

No entanto, o chefe do Ministério Público afirmou que a instituição é marcada pela “impessoalidade”. Assim, “o colega ou a colega que me substituir sem dúvida conduzirá da melhor forma - ou até melhor do que eu fiz - esse trabalho que é tão importante, num processo que mostra que todos os cidadãos brasileiros estão ao alcance do sistema de Justiça”.

O procurador-geral da República fez questão de frisar que o órgão não ficará “acéfalo” caso a presidente da República não indique ao Senado o nome do seu sucessor (ou de sua sucessora): “Assume  o vice-presidente ou a vice-presidente do Conselho Superior do Ministério Público. Desta vez, temos uma peculiaridade: o mandato da atual vice- presidente, Maria Caetana, se encerra antes do dia 15.

Portanto, já convoquei uma sessão extraordinária do Conselho Superior para o dia 13, a fim de eleger o novo ou a nova vice-presidente, a quem caberá responder pela Procuradoria-Geral da República até que um novo procurador-geral tome posse”.

Contudo, Gurgel admitiu não ser ideal que a PGR não tenha titular nas primeiras sessões plenárias da fase final do julgamento do mensalão:

“O ideal seria que nós tivéssemos a transmissão do cargo já para o colega ou a colega que vai me substituir. Infelizmente tem demorado muito”.