Após fala do papa, Igreja nega mudança de posição sobre homossexuais

Dois dias depois do fim da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), a arquidiocese do Rio de Janeiro fez um balanço do evento. Antes dos números, o arcebispo Dom Orani Tempesta e seus auxiliares tiveram que repercutir as duas entrevistas dadas pelo papa Francisco antes de deixar o Brasil, nas quais tocou em assuntos polêmicos, como a aceitação de homossexuais na igreja.

“A igreja nunca rejeitou essas pessoas. Temos pessoas trabalhando na direção de nos aproximarmos mais”, disse o arcebispo. Mais enfático, o bispo auxiliar dom Antônio Augusto Duarte afirmou que em momento algum o Pontífice mudou a posição da igreja sobre o tema. “O papa disse algumas vezes no Rio que devemos promover o encontro e o diálogo. Ele mencionou a urgência de estarmos mais próximos de todos. Não houve mudança de doutrina, mas um exemplo dado pelo papa da proximidade que ele quer”, explicou.

Dom Orani evitou dar números oficiais da Jornada Mundial da Juventude enquanto a auditoria nas contas da igreja não sejam concluídas. “Mas temos a certeza de que a jornada está paga. Não vamos jogar números de qualquer maneira para depois termos que desmentir”, disse o arcebispo, que afirmou que o evento foi um êxito maior do que sonhavam e planejavam os organizadores.

“Vou dizer algo que vocês não vão publicar, mas Deus agiu para que tudo desse certo”, afirmou, confirmando que em breve vai divulgar uma pesquisa feita com peregrinos sobre aspectos positivos e negativos da JMJ.

Sobre a polêmica transferência de Guaratiba para Copacabana por causa das chuvas que deixaram o Campus Fidei (Campo da Fé) sem condições de receber o evento, dom Orani eximiu a empresa Dream Factory, responsável pela organização do evento. “Talvez o primeiro erro seja da meteorologia que previa uma semana de sol”, disse.

Em relação ao prejuízo de pequenos comerciantes do local com o cancelamento do evento foi a vez de a Igreja se eximir de culpa. “A alimentação das pessoas inscritas é que eram de responsabilidade da organização”, afirmou.

Dom Orani disse ainda que está pronto para responder ao Ministério Público (MP) sobre o questionamento de crime ambiental na utilização do terreno de Guaratiba. “Escolhemos aquele terreno por ter todas as licenças”, afirmou, ressaltando que, mesmo com o cancelamento do evento, a preparação do local serviu pelo menos para que todo mundo olhasse com mais atenção para a população da região.

Mesmo afirmando que a igreja do Rio já está seguindo os pedidos do papa Francisco de que a Igreja abra suas portas e vá buscar a população mais carente, dom Orani contou que recebeu uma mensagem de celular de um padre que dizia: “Precisamos parar, pensar e dar um passo à frente a partir de agora”.

Outros dois momentos citados por dom Orani sobre a passagem do papa pelo Brasil foram quando sobrevoavam o Cristo Redentor. “Ele se benzia e rezava” e quando um menino disse ao Pontífice que gostava muito dele e que queria ser padre. “O menino chorou e o papa Francisco também”, lembrou.

O arcebispo lembrou que não é costume a Jornada Mundial da Juventude produzir um documento, mas que vai distribuir aos padres o que está chamando de Documento do Rio de Janeiro, em que reúne os discursos do papa aos bispos brasileiros e aos bispos do Conselho Episcopal Latino Americano.

“O importante é ressaltar o diálogo entre as religiões e culturas destacadas pelo papa Francisco e a resposta dada pelos jovens de que é  possível ter uma manifestação com mais de 3 milhões de pessoas e todas de forma pacífica” afirmou.

Varginha

Depois da visita do papa, a comunidade de Varginha deve ganhar mais importância. De acordo com o pároco, padre Márcio Queiroz, é provável que a localidade ganhe status de paróquia em breve e a igreja já ganhou um réplica da Nossa Senhora de Luján, padroeira de Buenos Aires.