"Nenhum estado está preparado para nova realidade de protestos", diz Haddad

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou neste sábado que nenhum Estado brasileiro tem se mostrado preparado para enfrentar a "nova realidade" de protestos que toma conta do País desde o mês passado. O petista disse que é preciso um esforço a mais do poder público para evitar problemas como os que ocorreram na última sexta-feira, quando cerca de 300 manifestantes depredaram agências bancárias da avenida Paulista, concessionárias de veículos e estações de metrô.

"Estou me colocando à disposição para o debate. É uma realidade nova que exige abordagem nova. Nenhum Estado está se mostrando preparado para enfrentar essa nova realidade", afirmou o prefeito de São Paulo.

Segundo Haddad, é preciso buscar um equilíbrio entre a liberdade de expressão sem que haja conflito com o funcionamento da cidade. "Temos que buscar essa linha tênue do equilíbrio. Não é simples, mas o poder público tem que buscar isso. É um desafio para as forças de segurança. Tenho conversado muito com o Alckmin (Geraldo Alckmin, governador de São Paulo) sobre esse assunto. Algumas dessas novas formas de protesto contam com o apoio da população e outras não. Temos que buscar o meio termo, o equilíbrio entre esses dois direitos", disse.

Em relação ao anúncio da presidente Dilma Rousseff sobre a liberação de dinheiro para projetos de mobilidade urbana na capital paulista, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade Urbana, que engloba projetos de melhoria, ampliação e implantação de sistemas de transporte público, Haddad afirmou que tem conversado com a petista em várias ocasiões.

"Levamos uma série de projetos que pretendíamos fazer de acordo com nosso programa de metas. Submetemos ao planejamento para ser incorporado ao PAC e vamos ter a primeira leva de projetos que foram aprovados", afirmou Haddad.

O prefeito da capital paulista afirmou que algumas licitações já estão em curso, grande parte na área de transporte público. "Nosso problema de mobilidade é intimamente ligado ao transporte público. Não vamos fazer obra que não tenha foco nisso. Por isso tivemos que refazer vários projetos", disse Haddad.

Segundo Haddad, três são as prioridades: saneamento, incluindo moradia e urbanização de favelas, mobilidade com ênfase em corredores de ônibus, e drenagem. "Vamos aguardar o governo federal sobre qual a primeira leva de projetos que serão operados. É um plano de obras de R$ 20 bilhões, sendo parte com recursos municipais, parte com PAC e parte com parcerias com vários atores e governo do estado", completou o prefeito.

Quando questionado se a ida da presidente a São Paulo na terça-feira mostra que a onda de protestos surtiu efeito, Haddad afirma que sim. "Eram projetos que já estavam sendo negociados desde março, mas evidentemente não deixa de ser uma resposta positiva. Os 150 km de corredores foi compromisso de campanha, mas dialoga com as reivindicações. É uma feliz coincidência. O povo reivindica o que é nossa prioridade. Tem uma comunhão de esforços nesse sentido".