Médicos param em pelo menos 12 estados contra programa federal

Médicos de pelo menos 12 estados paralisaram nesta terça-feira o atendimento em hospitais da rede pública em manifestação contra o Programa Mais Médicos e os vetos ao projeto de lei que regulamenta a medicina, conhecido como Ato Médico. O atendimento a casos de urgência e emergência estão mantidos, segundo informaram sindicatos da categoria. Em alguns estados, os profissionais participaram de atos públicos.

Um dos objetivos do Programa Mais Médicos é contratar profissionais estrangeiros para trabalhar no interior do País e nas periferias das grandes cidades, sem precisar passar pelo exame de revalidação dos diplomas.

Em Mato Grosso do Sul, cerca de 350 médicos se reuniram em uma passeata pela principal avenida da capital, Campo Grande, de acordo com o sindicato dos profissionais do Estado. O presidente do sindicato, Marco Antônio Leite, disse que houve boa adesão à paralisação e criticou o Mais Médicos. "Entendemos que não há falta de médicos no Brasil, há descentralização nas regiões. Acreditamos que a maneira eficaz para resolver isso é criação de uma carreira de Estado para médicos se fixarem nas regiões mais afastadas dos centros urbanos", disse.

Em Minas Gerais, os médicos se reuniram em frente à uma faculdade de medicina de Belo Horizonte para um ato público. De acordo com o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, também houve adesão de profissionais da rede privada à paralisação. Em Goiás, o balanço do sindicato é que mais de 50% dos médicos do Estado paralisaram as atividades. Os que estão trabalhando atendem os casos de urgência e emergência.

Em Pernambuco, os médicos que paralisaram as atividades estiveram em ato público pela manhã em frente ao Hospital da Restauração, na capital Recife, o maior da rede pública do Estado. Os manifestantes chegaram a fazer o enterro simbólico do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Na Bahia, foram suspensos os atendimentos da rede pública e privada, incluindo aos planos de saúde, exceto as urgências e emergências. Na capital, Salvador, durante a tarde, os profissionais fazem uma feira da saúde com aferição da pressão e de glicose e expõem à população os motivos da paralisação.

No Distrito Federal, os médicos optaram por não parar as atividades e fazem uma operação padrão, em que reduziram o ritmo do atendimento. As paralisações estão marcadas para os dias 30 e 31, quando os profissionais do Distrito Federal vão suspender o atendimento a consultas e cirurgias eletivas (agendadas).

Há paralisação também no Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará, Acre, Paraná e Amazonas. A atividade segue o calendário estabelecido pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB). Estão agendadas paralisações para os próximos dias 30 e 31 deste mês.

O Ministério da Saúde, por meio da assessoria de imprensa, informou que lamenta a paralisação dos médicos por afetar serviços prestados à população. Diz ainda que permanece aberto ao diálogo, tal como ocorre desde o início dos debates sobre o Programa Mais Médicos.