Igreja está atenta, mas calma com queda de fiéis, diz CNBB

A Igreja católica está "atenta", mas calma, com a queda do número de fiéis entre a população brasileira, afirmou o secretário-geral da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), Leonardo Ulrich Steiner.    

Uma pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Datafolha, e publicada no jornal Folha de São Paulo, aponta que 57% dos brasileiros com mais de 16 anos se declaram católicos, o que representa uma queda de 7% se comparado à última sondagem, realizada em 2007.    

Steiner destacou, em entrevista à ANSA, que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é um momento "ótimo" para reverter este processo. "Falam bastante sobre a quantidade de fiéis que existe na Igreja e os que deixam de fazer parte [dela], ou que escolhem outros caminhos, a Igreja está atenta a eles, mas, ao mesmo tempo, nos enche de esperança ver como os jovens trabalharam" para a JMJ, acrescentou.    

"Esta visita do Papa para a Jornada é um momento ótimo, nós estamos vendo quanto interesse despertou entre os jovens e acreditamos que é preciso ver a realidade de uma forma reflexiva, sem se deixar levar por alarmismos exagerados", explicou Steiner.    

Em 1994, 75% dos brasileiros pertenciam à fé católica, a qual perdeu fiéis devido, principalmente, ao êxodo a denominações neo-pentecostais, que atualmente representam 19% da população.    

"Não é que [os jovens] deixaram de crer em Deus, a fé continua viva em seus corações, mas já não sentem a necessidade da mediação da Igreja para viver a fé e estimulá-la", disse hoje, em um artigo, o cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB.    

"A palavra do Papa, inspirada pelo evangelho de Cristo, abrirá os olhos e os corações daqueles que se afastaram, para voltar a viver com fé" assegurou o religioso, que vai se reunir com Francisco na quarta-feira, em Aparecida do Norte.    

A comunidade católica brasileira, apesar da queda descrita na pesquisa, ainda é a maior do mundo.    "O papa Francisco não vem ao Brasil para frear coisa nenhuma", explica Steiner, sobre a diminuição na cifra de fiéis. "A JMJ é realizada desde que foi idealizada pelo papa João Paulo II e estava programada para ser realizada no Brasil muito antes da escolha de Francisco", disse.