Protesto de caminhoneiros causa congestionamento na BR-116 na Bahia

O segundo dia de manifestação de caminhoneiros, em nove Estados do Brasil, com pistas bloqueadas por caminhões, chegou a causar congestionamento de cerca de 30 quilômetros na BR-116, próximo a Cândido Sales, na Bahia, na tarde desta terça-feira. Os manifestantes querem subsídio no preço do óleo diesel, duplicação na BR-116, isenção no pagamento de pedágios e a criação da Secretaria do Transporte Rodoviário de Cargas.

Os caminhoneiros reclamam também do baixo preço dos fretes, que, segundo eles, os tem deixado no prejuízo, e da falta de segurança nas BRs. Conforme os manifestantes, houve três assaltos na noite de segunda-feira onde estão parados. “Queremos ainda acabar com taxas que cobram para entrar nos Estados. Para entrar no Pará, por exemplo, estou pagando R$ 32,97”, disse o caminhoneiro Cláudio de Paiva, 35 anos.

Na Bahia, além de bloquear a pista próximo a Cândido Sales, nos quilômetros 900 e 901,5, os caminhoneiros estão também no quilômetro 836, a 10 quilômetros de Vitória da Conquista. Neste local, passam apenas carros de passeio. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), nesses três pontos havia pelo menos 400 caminhões parados na pista à tarde, no acostamento ou em postos de gasolina e restaurantes.

A situação mais preocupante estava no quilômetro 900, a cerca de 15 quilômetros de Cândido Sales, onde 20 ônibus de linha interestadual estavam parados. O local não tem sinal de celular nem postos de gasolina ou restaurante próximos. Três agentes da PRF estiveram no local e conseguiram fazer com que algumas carretas que estavam na rodovia fossem tiradas do local, mas, por causa de outros bloqueios, houve mais congestionamento.

Passageiras de um dos ônibus que saiu de Brumado (BA) com destino a São Paulo, Ana Lúcia Silva Coelho, 52 anos, e Maria de Lima, 59 anos, reclamaram de estar no local desde as 10h, sem ter como ligar pra família. “Não era para o ônibus ter vindo para cá, pois sabiam da manifestação; mas a empresa insistiu. Estou com fome e sede, e aqui nem pega celular”, disse Ana Lúcia, que, assim como Maria, possui diabetes.

“Nossas insulinas já esquentaram, não tem nem como usar mais. É muita irresponsabilidade dos manifestantes, deveriam ao menos deixar a gente sair daqui”, disse Maria de Lima. Nos ônibus também havia muitas crianças e idosos.

No trecho próximo a Cândido Sales fazia muito sol, e alguns vendedores de pastel e suco aproveitaram para lucrar mais. O pastel, que normalmente sai a R$ 2, estava sendo vendido por R$ 3,50. Já o suco de R$ 1, agora saia a R$ 2. “Já estou indo para a terceira vasilha de pastel vendida”, vibrou o vendedor Reginaldo Soares, 32 anos.

Houve também caminhoneiros que reclamaram da manifestação, como Eliomar Gonçalves de Matos, 43 anos. “Não concordo com isso, tinham de deixar as pessoas passarem, isso é coisa de baderneiro.”

A policial rodoviária federal Darline Chagas disse que a orientação para motoristas de carro pequeno era que eles não seguissem viagem, e, para os caminhoneiros, que ficassem parados nos postos ou em restaurantes. “Demos os avisos hoje às empresas de ônibus para que elas não seguissem viagem ou que fizessem outra rota”, afirmou a policial.